Pessoas que investigaram fraude em Conselhos de Enfermagem são ameaçadas
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de fevereiro de 2000
Por Andreia Maia 
Rio, 21 (AE) - Cinco meses depois do assassinato dos enfermeiros Edma Rodrigues, de 45 anos, e MarcosValadão, de 47 anos, sete pessoas que ajudaram o casal a investigar as irregularidades administrativas nos conselhos Federal e Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro estão sendo ameaçadas de morte. A polícia está protegendo o grupo. As identidades das pessoas não foram divulgadas. A denúncia foi feita hoje pelo advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, contratado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social para acompanhar as investigações sobre a morte do casal.
O advogado participou de um encontro promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) , com representantes dos conselhos, para debater os rumos da investigação sobre os assassinatos de Edma e Valadão."Sete pessoas estão sendo ameaçados com telefonemas anônimos e perseguidos na rua", disse Greenhalgh. Segundo o advogado, as vítimas estão ligadas aos conselhos Federal e Regional de Enfermagem. Alguns delas prestararam depoimento sobre as mortes de Edma e Valadão em 20 de setembro do ano passado. Ele informou que as pessoas ameaçadas estão sob proteção policial há 15 dias, depois que o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, coronel Josias Quintal., tomou conhecimento das ameaças.
O advogado criticou também a morosidade da Polícia e da Justiça em investigar a morte dos dois enfermeiros. Edma e Valadão, que eram casados, foram executados a tiros, na porta de casa, por dois homens que fugiram em uma moto. Eles eram considerados profissionais exemplares e investigavam irregularidades financeiras nos dois conselhos.
"Não há dúvida de que foi um crime encomendado e político", afirmou Greenhalgh. De acordo com o advogado, o processo está parado no Ministério Público Estadual, mas deveria estar na delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), uma unidade especializada."A polícia parou de investigar por causa da burocracia", criticou o advogado. Ele lembrou que até hoje não foi feita a perícia nos disquetes e no computador apreendidos na residência do casal.
Para o advogado, as mortes de Edma e Valadão estão relacionadas com o assassinato do ex-integrante do Conselho Federal de Enfermagem, Guaraci Novaes, em 1997, depois que ele denunciou irregularidades na instituição. "Os crimes tem características iguais: execução durante investigação de irregularidades."


