Após cinco dias de buscas, o turista francês Marc Meslin, 22, foi localizado nesta terça-feira (7) na região conhecida como Vale da Morte, entre os municípios de Petrópolis e Teresópolis, na região serrana do Rio, por equipes do Corpo de Bombeiros, integrantes do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e da Federação de Esportes de Montanha do estado. A operação de buscas no Parque Nacional da Serra dos Órgãos começou na sexta-feira (3) e contou com bombeiros de cinco unidades operacionais, além de cães da corporação.
Encontrado lúcido, Meslin foi resgatado em um local de difícil acesso. Ele saiu para fazer uma trilha sozinho na quarta-feira (1), mas o primeiro contato feito por ele, pelo celular, ocorreu apenas dois dias depois, quando as buscas foram iniciadas.
Perder-se em meio ao fascínio de desbravar as trilhas nos diversos biomas do Brasil não é exclusividade dos estrangeiros. No Paraná, segundo dois grupos voluntários que auxiliam o Comando do Corpo de Bombeiros no resgate de pessoas, pelo menos uma pessoa por semana precisa do serviço e, na maioria das vezes, são moradores de cidades próximas ao morro ou caminho percorridos. A estatística dobra entre sábados e domingos da alta temporada de verão e a principal razão para tantas ocorrências é a de decidir fazer trilha sem qualquer conhecimento da região, pouco ou nenhum planejamento ou, ainda, por pagarem a grupos que organizam passeios sem a necessária experiência sobre o trajeto que, muitas vezes, ainda acrescenta ao "somatório de erros" a falta de sinalização adequada ou da manutenção dela.
"É fundamental ir acompanhado de pessoas que conheçam a trilha. Na maioria dos atendimentos de resgates, a razão é a total falta de conhecimento sobre o lugar visitado. Verificar como estarão as condições climáticas antes do passeio e ter pelo menos uma pessoa que tenha experiência na trilha escolhida são ações imprescindíveis para preservar a própria segurança", alerta o tenente do Gost, Abimael Cruz. O Gost (Grupo de Operações de Socorro Tático) é um grupo especial subordinado ao Corpo de Bombeiros do Estado do Paraná, que atua em todo o Estado e é acionado pela Central, após o registro no 193. "A ausências dessas precauções fez crescer o número de perdidos em matas e morros do Paraná, mesmo fora de temporada. Fazemos semanalmente um resgate", conta.
O tenente lembra que, na região de Londrina, uma das situações que contaram com os voluntários do Gost foi em dezembro de 2017, quando um pastor da Assembleia de Deus, Benedito Mariano, durante um retiro em uma chácara, caiu no Rio Tibagi e foi puxado pela correnteza.
Além desse cuidado mínimo de ter pessoas experientes no caminho a ser feito, Cruz indica levar duas lanternas e pilhas reservas, alimentos, água, material de primeiros socorros e organizar o uso do celular. "Se tiver GPS, é bom salvar o trajeto, mas deixar apenas um aparelho ligado. Assim, quando acabar a bateria, utiliza-se o aparelho de outro na equipe", ensina. "Avisar familiares e amigos que fará uma trilha e a previsão de retorno também é importante para poupar sofrimento e riscos no caso de se perder. Já houve casos de durarem 30 dias as buscas, embora a maioria seja de dois dias, ainda mais com o suporte de helicóptero", informa Cruz. "Também é importante avaliar se possui o condicionamento físico necessário para encarar o desafio. Quem não consegue caminhar nem cinco quilômetros, precisa treinar um pouco para evitar passar mal e colocar a saúde em risco", ressalta.(Com informações da Agência Brasil)

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