'Pessoal está ficando impaciente'
Pessoal está ficando impaciente
A direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná confirmou ontem a reocupação da Fazenda Arapongas, em Querência do Norte, por 80 famílias ligadas ao Movimento.
Segundo um dos coordenadores estaduais do MST, que não quer ser identificado, aquela área foi considerada improdutiva por duas vezes. As 80 famílias que reocuparam a fazenda foram despejadas em maio.
O ministro Jungmann tinha garantido que até dia 15 de setembro as 645 famílias despejadas no noroeste do Estado estariam assentadas, lembrou. Como isso não aconteceu, o pessoal ficou desesperado e resolveu voltar para a Fazenda.
Se as famílias de sem-terra que vivem em acampamentos não forem assentadas em um mês, perderão o prazo para plantio da safra de verão 1999-2000. A liderança do MST também critica as ações da União Democrática Ruralista (UDR) no noroeste do Paraná.
A ignorância do latifúndio vai terminar com a reforma agrária, por isso os fazendeiros fazem de tudo para evitar os assentamentos. A direção da UDR apontou oito lideranças do MST que teriam comandado a reocupação da Fazenda Arapongas. Entre eles está Giovani Braum, que acompanha a marcha popular pelo Brasil e está fora do Paraná desde o dia 23 de julho. A UDR é mal informada.
Depois que o ministro Raul Jungmann, da política fundiária, afirmou que até meados de setembro 1.200 famílias seriam assentadas no Estado foi firmado um acordo entre MST e governo do Estado. O governador Jaime Lerner (PFL) garantiu que suspenderia as desocupações se o MST não fizesse novas invasões.
Mas até agora o governo não cumpriu sua parte no acordo, nenhuma família foi assentada e o pessoal está ficando impaciente. (E.C.)





