Cerca de 40 trabalhadores da Airless Serrana – empreiteira contratada pela Ecovia Caminho do Mar, concessionária do trecho da BR-277 entre Curitiba e o Litoral do Estado – estão em greve desde ontem. Eles acusam a empresa de não oferecer condições adequadas de trabalho e de descumprir cláusulas da convenção coletiva. A Airless é responsável pelos serviços de capina, roçagem e limpeza da BR-277 (trecho Curitiba/Paranaguá) e nas rodovias que dão acesso a Morretes, Praia de Leste e Matinhos.
O representante do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção de Estradas e Pavimentação do Paraná (Sintrapav), Zeno Minuzzo, informa que apenas 15 funcionários da empresa, em Morretes, não aderiram à greve. Segundo Minuzzo, os trabalhadores paralisaram as atividades após três tentativas de negociação com empresa, que aconteceram no final do ano passado.
Os grevistas reivindicam café da manhã, almoço e cesta básica mensal e revisão das condições de transporte. ‘‘O trabalhador tem que sair às 5 ou 6 horas da manhã de casa e é obrigado a levar sua própria comida que, muitas vezes, não dá para ser aproveitada porque, até a hora do almoço, já se estragou’’, disse.
Segundo Minuzzo, o transporte dos empregados é feito sem segurança, em caminhões caçamba, junto com ferramentas e tambores de óleo. Os funcionários se queixam ainda da anotação irregular das horas extras. ‘‘O tratamento dado aos trabalhadores é desumano’’, afirma o sindicalista.
Minuzzo disse estranhar a atitude da Ecovia que, ‘‘como empresa contratante, deveria interferir para que a Airless Serrana cumprisse com suas obrigações’’.
A Folha procurou ontem a Airless Serrana. O funcionário que atendeu à ligação não quis se identificar e disse que a empresa não vai se pronunciar enquanto não tiver o resultado do processo (acordo coletivo), que tramita na Justiça. Em comunicado ofical, a Ecovia informou que a paralisação parcial dos funcionários não afeta o trabalho de conservação das rodovias.

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