Dili, Indonésia, 29 (AE-AP) - Um grupo de pelo menos 300 pessoas atacou hoje (29) com pedras um pessoal das Nações Unidas e saqueou o escritório da organização internacional durante um protesto antiindependência em Timor Leste, ferindo várias pessoas.
Este foi o primeiro ato de violência contra funcionários da ONU que supervisionam um referendo planejado para o território indonésio. A organização culpa milicianos que apoiam Jacarta pelo ataque.
Indonésia, responsável pela segurança em Timor Leste, negou se tratar de um ataque direto contra as Nações Unidas e classificou a violência de uma "confrontação entre manifestantes pró e antiindependência que saiu do controle".
O incidente ocorreu num momento em que líderes de facções rivais estão realizando conversações de paz em Jacarta. Durante as negociações de hoje, as facções aparentemente chegaram a um acordo sobre desarmamento, mas vários assuntos devem ainda ser tratados antes do final da reunião, previsto para amanhã.
Ian Martin, chefe da Missão de Ajuda da ONU em Timor Leste (UNAMET), disse que uma funcionária sul-africana da organização e nove timorenses ficaram feridos durante o ataque, ocorrido em Maliana, aproximadamente 60 quilômetros a sudoeste da capital territorial, Dili. Segundo os números da polícia, quatro pessoas se feriram.
"Não foi um acontecimento espontâneo", afirmou Martin durante uma entrevista coletiva quando perguntado se o ataque fora realizado para minar a realização do referendo.
A maioria dos 30 funcionários da ONU foi retirada de Dili em três helicópteros depois da agressão.
A ONU - que supervisiona o referendo originalmente programado para ocorrer em 8 de agosto - adiou o voto em pelo menos duas semanas devido a problemas na segurança e preocupações logísticas.
O porta-voz da UNAMET, Wimhurst, acusou os milicianos antiindependência de fomentar a violência depois deles terem feito ameaças repetidas contra o pessoal das Nações Unidas.
No Rio, onde participa da Cimeira, o primeiro-ministro de Portugal, Antônio Guterres, condenou hoje o ataque contra os funcionários da ONU, afirmando que o ato de violência prejudica a realização do referendo, que decidirá sobre a independência ou a autonomia na antiga colônia portuguesa.

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