Pessimismo no Chile com a situação de Pinochet
Santiago do Chile, 16 (AE-AP) - O ex-ditador chileno Augusto Pinochet completa hoje seis meses de detenção em Londres. O governo chileno parece resignado com a hipótese bastante palpável do general continuar por muito tempo ainda no exterior, enquanto o ex-militar, já octagenário, declara que, se não voltar logo, virá ao Chile "num caixão de madeira".
Pinochet "está consciente de que, se não voltar agora, inteiro, de plena posse das suas faculdades mentais e físicas, pode voltar, como disse sem drama, num caixão de madeira", declarou em Londres à rádio Cooperativa, o senador direitista Hernán Larraín.
O chefe do Exército, general Ricardo Izurieta, viaja esta tarde a Londres para dar apoio ao seu antigo superior.
O Exército, que havia silenciado depois da resolução ontem do ministro do Interior britânico Jack Straw, protestou hoje pelo que considera um "atentado contra a soberania nacional" e pediu ao governo que continue "realizando todos os esforços necessários" para conseguir a libertação do ditador, preso no dia 16 de outubro.
Antes de anunciar sua viagem a Londres, Izurieta e outros três chefes militares reuniram-se por duas horas com o chanceler José Miguel Insulza e o ministro da Defesa, José Florencio Guzmán. Izurieta limitou-se a comunicar sua viagem à Guzmán, que considerou razoável a visita ao general.
Na reunião debateu-se a situação que Pinochet tem diante de si. Seu caso pode prolongar-se por anos, devido ao intricado processo legal para determinar se finalmente é ou não extraditado para responder na Espanha pelos crimes de violação dos direitos humanos cometidos durante seu regime de 16 anos e meio.
O titular da Defesa manifestou que foi uma reunião de troca de informações e que "não foi feita nenhuma proposta de nenhuma índole" por parte dos chefes militares.
A direita e os setores empresariais culparam o governo pela nova derrota de Pinochet e estão exigindo medidas políticas mais duras a serem adotadas contra a Inglaterra.
O chanceler disse que o caso de Pinochet é "um problema quase insolúvel" e que a única via de solução para o caso seria a busca de um amplo acordo para esclarecer as violações aos direitos humanos. O acordo facilitaria a invocação de razões humanitárias para obter a libertação do ex-ditador.
Insulza, que não acompanhou o presidente Eduardo Frei numa viagem a Europa para enfrentar no Chile o caso Pinochet, disse em declarações à televisão, que um acordo para esclarecer as violações dos direitos humanos pendentes, em particular a situação dos 1.102 desaparecidos "faz bem ao país".
Em dezembro os chefes militares pediram a aplicação de uma séria de medidas contra a Espanha e Inglaterra mediante pressões que exerceram no Conselho de Segurança Nacional.
Segundo cifras oficiais, a repressão de Pinochet deixou um saldo de 3.197 vítimas, entre as quais 1.102 ainda permanecem como detidos desaparecidos.





