Pesquisas melhoram diagnóstico da esclerose múltipla
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Pesquisas feitas na Universidade Estadual de Londrina (UEL), em conjunto com outras universidades do País, mostram novas possibilidades de diagnóstico da esclerose múltipla (EM), doença neurológica degenerativa crônica. O grande benefício das descobertas para quem sofre dessa patologia autoimune é a possibilidade de iniciar o tratamento cada vez mais cedo, fundamental para frear o avanço da fase degenerativa.
Na UEL, os estudos tem à frente o neurologista Damacio Ramón Kaimen Maciel, responsável pelo Centro de Referência de Doenças Desmielinizantes e Degenerativas do Ambulatório de Neurologia do Hospital das Clínicas (HC), onde o DNA de dezenas de pacientes foram estudados. Este ano, cinco trabalhos foram apresentados em congressos médicos europeus e três artigos publicados em revistas científicas internacionais.
Uma das pesquisas, publicada na revista inglesa Multiple Sclerosis, diz respeito aos marcadores que caracterizam o sistema imunológico, o que possibilita distinguir duas doenças sérias - a neuromielite óptica, em que o paciente perde a visão de repente e apresenta paraplegia, e a EM.
O neurologista explica que os antígenos leucocitários humanos ou HLA são os grandes responsáveis pela histocompatibilidade, a capacidade dos tecidos humanos de reconhecerem outros não compatíveis e os rejeitarem. É o que demanda, por exemplo, a necessidade de uso de imunossupressores depois das cirurgias de transplante.
O que os estudos vêm mostrando, ao contrário do que a comunidade médica acredita, é que quem tem uma variante de HLA chamada de HLA-DRB15 apresenta sim esclerose múltipla, mas não neuromielite. Até o resultado dessa pesquisa, o que a ciência dizia, segundo Ramón, era que dos pacientes com sintomas de neuromielite óptica 30% melhoravam completamente, 30% pioravam e 30% tinham sequela, mas que de 80% a 100% tinham, anos depois, a doença 'transformada' em esclerose múltipla. ''Nós estamos mostrando que isso não é verdade porque são doenças geneticamente diferentes. Quando a neuromielite 'se transforma' significa, na verdade, que o paciente sempre teve esclerose múltipla'', ressalta Ramón.
Foram três anos de pesquisa em conjunto com outras universidades - a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP/USP) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. O que os pesquisadores fizeram foi extrair o DNA do sangue de pacientes com e sem as doenças e analisar.
Na prática, o resultado desse tipo de pesquisa é tornar mais fácil de diferenciar, de maneira clínica e laboratorial, as doenças e de tratá-las, já que a medicação para isso também é diferente. Pode parecer pouco, mas é muito, pois o tratamento da esclerose múltipla quanto mais precoce, melhor o prognóstico. ''Hoje a gente sabe que na primeira etapa da EM, a fase inflamatória, é quando funcionam os imunomoduladores, diferentemente da fase degenerativa. No paciente que chega com quatro, seis anos, procurando diagnóstico, você perde quase toda a fase inflamatória'', alerta.


