Pesquisas do IPT devem aumentar competitividade da Petrobras
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Viviane Mottin 
São Paulo, BA, 20 (AE) - Dos R$ 900 milhões a serem investidos nos próximos cinco anos pelo Plano Nacional de Ciência e Tecnologia para o Setor de Petróleo e Gás Natural (CTPetro), o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da USP e a Petrobras já começaram a utilizar R$ 2,6 milhões em 12 projetos cooperativos. Sete são na área de energia, quatro na de exploração e produção de petróleo e um em aproveitamento de resíduos de petróleo para pavimentação de estradas.
"Começamos em janeiro e em dois anos se encerra o prazo para a entrega dos trabalhos", disse o gestor do CTPetro pelo IPT, Marcos Alberto Castelhano Bruno. Ele ressalta que, até 1998
esse tipo de investimento era zero, e em dezembro do ano passado foram liberados os primeiros R$ 103 milhões da verba total para os cinco anos. O CTPetro está vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Outra novidade é que se o saldo da conta anual for positivo, ele não perde a validade na virada do ano fiscal, sendo acumulado no exercício seguinte pelo próprio CTPetro - e não aplicado em outras contas do governo.
Desde 1953, o IPT presta serviços à Petrobras. Agora, diz Marcos Bruno, eles estão relacionados à busca de competitividade da estatal. "Isso representa um salto para o IPT, que a partir dessa experiência poderá atender, no futuro, as multinacionais do petróleo que se instalarem no País." Ele afirma que a verba poderá ser elevada para R$ 1,7 bilhão, em breve. Segundo ele, tal valor não seria proporcional ao potencial petrolífero brasileiro, mas se justifica pelo fato de que o modelo de pesquisa e desenvolvimento cooperativado no Brasil poderá ser estendido a outros setores da economia.
Matriz energética - Na área de energia, os sete projetos de pesquisa são direcionados para o uso de derivados e resíduos de petróleo para queima na geração de eletricidade. Esses resíduos, em grande quantidade (marcos Bruno não soube quantificar), sempre foram apenas queimados para que as cinzas voltassem ao ambiente natural, sem qualquer fim produtivo. A queima do que se poderia chamar de lixo petrolífero vai substituir parte do gás que o Brasil importa da Bolívia e gerar caixa para a Petrobras.
"Vamos resolver o problema de emissão gasosa oriunda da queima dos resíduos e ainda dispensar insumos mais nobres na matriz energética brasileira. O Brasil terá uma nova fonte de energia", explica. Atualmente, a refinaria da Petrobras em Paulínia (SP) já utiliza os resíduos para aquecer caldeiras e produzir vapor. Mas não para geração elétrica. Ainda não há previsão de data para a primeira termelétrica a resíduos de petróleo entrar em operação. Segundo Marcos Bruno, a tecnologia será oferecida a toda a sociedade.
águas profundas - Os projetos de exploração e produção do IPT em parceria com a Petrobras visam a prospecção de petróleo em águas profundas. Para isso serão estudados equipamentos flutuantes, como estrutura de extração, plataforma e navios. O IPT vai fazer a caracterização do solo marinho em novas áreas da Bacia de Campos, litoral fluminense. "A Petrobras ainda não descobriu tudo o que há nas áreas que estão sendo licitadas", observa o técnico do IPT.
Dependendo da quantidade de petróleo existente nesses solos desconhecidos, o preço pago por multinacionais pelo direito de exploração (concessão) pode aumentar, significando maiores ganhos à estatal. O solo da Bacia de Santos, litoral norte paulista, perto da Ilha Grande, também será analisado com a mesma finalidade. Onde a Petrobras está perfurando o solo, o IPT avaliará a forma de trabalho para otimizar a exploração, podendo aumentar o rendimento dos poços.
Asfalto - A mistura de areia, brita e petróleo que pavimenta as estradas do País poderá ser substituída por uma fórmula que troca o petróleo nobre, puro, por seus resíduos. É o que o IPT está desenvolvendo e chamando de cimento asfáltico. "Não sabemos se o custo será reduzido, mas podemos garantir que a resistência do material será maior", antecipa Marcos Bruno. Já as áreas marítimas degradadas devido à exploração do petróleo serão contempladas com planos de recuperação.
A cessão dos direitos de uso das invenções e descobertas do IPT a outras empresas no Brasil ou no exterior ficará a critério da Petrobras. "A estatal venderá se quiser e inclusive poderá exportar cobrando royalties", diz Bruno. Mas o IPT não reserva direitos exclusivos do seu capital intelectual à estatal. Tanto que, uma de suas missões atuais, é buscar parceiros estrangeiros para fazer convênios na área de pesquisa. Entre as empresas de interesse estão justamente as gigantes mundiais do petróleo, de olho nas licitações de áreas brasileiras. f


