Pesquisas descobrem novo tipo de malária em paciente do Amazonas
Agência Folha
Um novo código genético do parasita Plasmodium vivax foi descoberto através de exames feitos com material recolhido de uma paciente em Manaus (AM). Os cientistas da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas e do National Institute of Health, dos EUA, descobriram mudanças no DNA do parasita. A descoberta abre caminho para a pesquisa de um novo tipo de malária. Os pesquisadores não sabem ainda se se trata de um novo parasita ou um clone do conhecido vivax.
Segundo a pesquisadora Graça Alecrim, as suspeitas começaram há cerca de três anos, com o acompanhamento de mil pacientes de Manaus. Nós achamos estranho o aumento de pacientes com vivax, disse Alecrim. Em 1988, a malária vivax era responsável por menos de 50% dos casos da capital amazonense. Em 1996, a proporção chegava a 70%.
Além da vivax, são comuns no Brasil dois outros tipos de malária: malariae e falciparum. Esta última é conhecida como a mais perigosa variante da malária, podendo matar uma pessoa sem tratamento em duas semanas. Alecrim afirmou que os sintomas comuns em todos os modos da doença (febre intermitente, dores no corpo, na cabeça e náuseas) apareceram de maneira mais acentuada em alguns pacientes moradores em invasões de terra na zona rural de Manaus.
Como foi diagnosticada a presença do vírus vivax, o tratamento foi feito com uma droga amplamente utilizada neste caso, a primaquina. O resultado, porém, não foi satisfatório. Uma paciente que havia saído das áreas de transmissão da doença voltou a apresentar os sintomas da malária três outras vezes.
Os médicos tiveram então que optar pela cloraquina, outro medicamento bastante utilizado no tratamento da vivax. Suspeitamos que essa variante do vivax apresenta resistência a certos medicamentos. Com o microscópio é possível distinguir os três tipos de malária, mas esta variação do Plasmodium vivax só pode ser descoberta com exames específicos de código genético.
Atualmente uma pesquisadora de Manaus está nos Estados Unidos aprendendo a técnica para fazer os exames. O coordenador do programa de Malária do Instituto Evandro Chagas, José Maria Souza, disse que, além de Manaus, não se conhece outra área na Amazônia Legal onde pacientes estejam apresentando resistência aos medicamentos normalmente utilizados para o tratamento da malária vivax.
Souza lembra que já são conhecidas quatro variantes do vivax (original,UK247, like e simiovale), mas todas podem ser tratadas da mesma maneira com bons resultados. Conhecida há cerca de um século, a malária vem tendo novas variantes descobertas pelos cientistas ao longo dos anos. Como a gripe, os parasitas da malária podem acabar criando resistências a certa substâncias, disse Souza.





