Buenos Aires, 22 (AE) - Se as pesquisas de opinião pública estiverem corretas, o próximo presidente argentino será o cordobês de nascimento e atual prefeito de Buenos Aires, Fernando De la Rúa, candidato à presidência do país pela coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso.
Em cinco pesquisas, as intenções de voto em favor de De la Rúa oscilam entre 13 e 17 pontos porcentuais acima do candidato do partido do governo, o Partido Justicialista (conhecido também como Peronista), Eduardo Duhalde.
Segundo a pesquisa do Centro de Estudos de Opinião Pública (Ceop), De la Rúa tem 45,1% das intenções, e Duhalde, 30,9%.
O ex-ministro da Economia Domingo Cavallo, candidato pelo Partido Ação pela República, teria 10,7%. Os indecisos seriam 8% dos eleitores. A projeção do Ceop indica que De la Rúa venceria a eleição com 51% dos votos, Duhalde conseguiria 35% e Cavallo, 12%.
De la Rúa venceria no próprio território de Duhalde, a Província de Buenos Aires, superando o candidato peronista em 10 pontos.
No entanto, a maior vantagem que seria conseguida pela Aliança estaria na cidade de Buenos Aires, onde De la Rúa é prefeito desde 1996: o candidato da Aliança teria 48,9% dos votos, enquanto Duhalde ficaria com 16,7%.
Dessa forma, o ex-ministro Cavallo, com um partido recentemente criado, ficaria em segundo lugar na capital do país, com 17,8%, ultrapassando o peronismo. Esses números são encarados pelos assessores de Cavallo como um excelente motivo para que o "pai da convertibilidade econômica" seja candidato à prefeitura de Buenos Aires no ano que vem.
A pesquisa da Gallup indica resultados similares, mostrando um crescimento para De la Rúa, com 44,6% das intenções de voto, enquanto Duhalde estaria em queda, com 28,2%. Cavallo também teria subido, chegando a 10,6%. Os outros candidatos obteriam 3,2% dos votos.
A eventual derrota de Duhalde está sendo antecipada pelos próprios colegas de partido que integram o governo. Para desespero dos assessores de campanha, o candidato emitiu declarações derrotistas, nas quais deixa claro que já pensa em seu futuro próximo, longe do "sillón de Rivadavia", como é conhecida a cadeira presidencial argentina.
"Se perder, vou reabrir meu escritório de advocacia, e retornarei a lecionar Direito", disse Duhalde. Até a mulher do candidato, Hilda Chiche de Duhalde, foi explícita: "Fora do poder, voltarei a viver."
O presidente Carlos Menem não perdeu a oportunidade de espezinhar Duhalde, seu inimigo interno do partido, e declarou que, se ele, Menem, fosse candidato, "ganhava". Menem disse que seu lançamento antecipado para as eleições presidenciais de 2003 "não prejudica Duhalde".
Calcula-se que a partir da segunda-feira, se perder as eleições presidenciais, o peronismo entrará em uma profunda crise interna, que somente será atenuada caso vença a disputa pelo governo da Província de Buenos Aires, tradicional bastião peronista, governada por Duhalde nos últimos oito anos.
Essa província é considerada fundamental para manter a governabilidade do país: é a maior e mais rica da Argentina. Ali estão as principais indústrias, mas também 50% dos desempregados.
Na disputa da província estão Carlos Ruckauf, candidato peronista, e Graciela Fernández Meijide, candidata da Aliança.
Segundo a Ceop, a oposicionista Meijide teria 39% das intenções de voto, enquanto Ruckauf obteria 36,3%. Nesse ringue ocorreu a maior parte da atividade política do país na última semana. A principal polêmica foi causada por Ruckauf, que também é vice-presidente da república, que acusou Meijide de ser "defensora do aborto, anticristã e atéia".
Quando 24 milhões de argentinos votarem depois de amanhã para eleger o próximo presidente do país, 25% desses eleitores estarão colocando a cédula na urna sem esperança de que o futuro governante possa resolver os problemas do país, entre os quais, o desemprego.
Esse é o resultado de uma pesquisa do Ceop, que também indica que 40% dos pesquisados não acreditam que nenhum dos candidatos vá reduzir os impostos.
O desencanto também atinge 35% dos eleitores, que duvidam que o novo presidente, seja Eduardo Duhalde ou Fernando de la Rúa, possa terminar com a recessão, que causa o desemprego e subemprego de 4 milhões de pessoas no país.

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