Curitiba - Os avanços obtidos nas pesquisas de vacinas no Brasil e no mundo estão sendo apresentados no VI Simpósio Brasileiro de Vacinas, que termina hoje em Curitiba. Ontem, especialistas falaram da evolução das vacinas contra dengue, herpes e de doenças sexualmente transmissíveis como HIV e HPV. Para esta última doença, há um centro de pesquisas no Hospital das Clínicas (HC) de Curitiba, onde 108 mulheres já foram imunizadas na fase de testes. Esta pesquisa acontece paralamente em outras quatro cidades do País e nos Estados Unidos e Canadá.
''Estamos discutindo o que tem de novo em vacinação. Existe muitos investimentos e os pequisadores estão vindo contar como estão os trabalhos'', contou a organizadora do simpósio e presidente da Associação da Sociedade Paranaense de Pediatria, a médica Eliane Cesário. Segundo a médica, no final deste anos duas novas vacinas já devem estar entrando no mercado: contra o rotavírus (o causador de diarréia e consequente desidratação em crianças) e uma mais eficaz do que a que já existe contra a bactéria causadora da pneumonia.
Entre os maiores centros de pesquisas do Brasil está o instituto Fiocruz, órgão vinculado ao Ministério da Saúde. O diretor do instituto, Akira Homma, diz que hoje exitem cerca de 50 projetos em andamento, os quais tiveram investimento de R$ 10 milhões. Contudo, Homma diz que o governo federal começou a investir em pesquisas nesse sentido só agora. ''Esse é um investimento que não se sabe se vai ter retorno. Então, quem vai pôr dinheiro nele senão o governo? E se não investir, vamos ficar dependentes dos outros países'', disse.
O Paraná está desenvolvendo uma vacina contra o HPV (vírus associado ao câncer de colo uterino, uma das principais causas de mortalidade feminina). O coordenador do projeto e professor do Departamento de Gineco-obstetrícia do HC, Newton Sérgio de Carvalho, a segunda fase, em que a vacina já foi testada em mulheres e mostrou que é eficaz, segura (não apresentou reação adversa) e criou anticorpos contra a doença. Na próxima etapa cerca de 20 mil mulheres do mundo todo serão imunizadas para que os efeitos sejam observados.
Ainda não há previsão de quando a vacina contra o HPV entra no mercado. Segundo Carvalho, daqui três anos será preciso analisar se ela continua fazendo efeito nas mulheres que foram vacinadas em 2001 e as reações. Além de Curitiba, as pesquisas estão acontecendo em Porto Alegre, São Paulo, Campinas e Fortaleza. O médico disse que um laboratório farmacêutico particular está bancando os estudos, mas não divulgou o nome.

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