São Paulo, 29 (AE) - Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram, em parceria com uma empresa privada, um produto que substitui com vantagens o isopor. Batizado de Bioespuma e feito a partir de cana-de-açúcar
amido de milho e óleo de mamona, o novo material leva apenas dois anos e meio para se decompor no meio ambiente - tempo muito menor do que o isopor, que leva 500 anos. Além de não poluir, o novo material deverá ter preço semelhante ao do concorrente. Com o aumento da produção, seu custo poderá diminuir.
"É um produto barato, com processo de fabricação que não produz resíduos tóxicos e tem baixo gasto energético", afirma o químico Ricardo Vicino, do Escritório de Difusão e Serviços Tecnológicos (Edistec) da Unicamp e um dos principais envolvidos no projeto. O estudo começou a ser feito há seis anos
com a empresa Kehl Polímeros.
A bioespuma deverá entrar no mercado dentro de dois meses, quando será concluída a construção de uma unidade-piloto em São Carlos, no interior de São Paulo. A produção inicial será de 20 toneladas mensais. No segundo semestre, a capacidade mensal deverá ser cinco vezes maior.
Ambientalistas condenam o isopor por uma série de razões. Além de demorar meio milênio para decompor-se totalmente
o isopor não é reciclado. Por causa da sua baixa densidade, seria necessário coletar uma quantidade muito grande do material para que seu reaproveitamento fosse viável. Mesmo assim, o custo seria muito alto. Derivado de petróleo, o isopor também não pode ser incinerado, porque sua queima produz gases tóxicos.
Vicino conta que hoje o País produz aproximandamente 50 mil toneladas de isopor por ano. "Em apenas um caso a bioespuma não pode substituir o isopor", diz o químico. "Na construção civil, o derivado de petróleo ainda é o mais indicado." Porém, a bioespuma apresenta ótimos resultados tanto para bloquear impactos em alguns objetos como para embalagens. "Ela não é tóxica e amortece os choques com eficiência", observa ele.
O químico afirma que o material tem aparência semelhante à do isopor, mas apresenta também algumas características da espuma. "Ele pode ser utilizado ainda na agricultura, com inúmeras vantagens", garante Vicino. De acordo com ele, a bioespuma serve como substituto dos tubos de plástico onde hoje são colocadas mudas e sementes. O químico lembra que, no momento do plantio, os tubos têm de ser retirados. Esse processo frequentemente danifica parte das mudas. Já com a bioespuma, esse risco não ocorre. "Não é necessário retirar o material, já que ele se decompõe na terra", explica o pesquisador.

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