São Paulo, 23 (AE) - Pesquisadores do Instituto Ludwig, em São Paulo, desenvolveram um método sofisticado e rápido para identificar e sequenciar os genes que provocam os principais tipos de câncer no País: de cólo do útero, gástrico e de cabeça e pescoço. Utilizando essa técnica, os pequisadores, com financiamento de R$ 5 milhões da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e outros R$ 5 milhões do Instituto Ludwig, pretendem identificar meio milhão de genes em um ano. Essa pesquisa marca a entrada do Brasil no Projeto Genoma Humano, um estudo mundial que busca identificar todos os genes do corpo humano.
Estudar os genes humanos que provocam câncer é a melhor forma de conseguir diagnosticar precocemente a doença. "Ao criar um banco de dados com os genes responsáveis pelo câncer, poderemos fazer uma triagem para a doença", diz Andrew Simpson, coordenador da pesquisa do Instituto Ludwig e criador do novo método.
Os genes são formados por uma sequência de DNAs (ácidos desoxirribonucléicos, substância fundamental da vida). Um DNA codifica - ou seja, forma - um aminoácido. Uma sequência de aminoácidos, por sua vez, codifica uma proteína, fundamental para o funcionamento do corpo. Quando um gene apresenta alguma irregularidade, produz proteína em excesso, o que pode predispor o organismo à formação de um tumor.
Participar do Projeto Genoma é de grande importância, segundo Simpson. "Ao colaborar com novas descobertas, o Brasil terá mais acesso às informações dos demais países", explica, acrescentando que as pesquisas brasileiras farão parte de um banco de dados mundial do Projeto Genoma. Outro fato relevante é que, como as pesquisas estão direcionadas aos principais tipos de câncer que afetam os brasileiros, servirão para aumentar a precisão do diagnóstico, considera José Fernando Perez, diretor-executivo da Fapesp. O acordo de financiamento do projeto nacional será firmado sexta-feira entre o Instituto Ludwig e a Fapesp.
Apenas 3% do genoma humano - o conjunto de genes presentes num ser humano - contém, de fato, informações úteis para o entendimento de como o organismo funciona. Conseguir identificar de antemão esses genes é um dos desafios do Projeto Genoma. "Especialistas perdem muito tempo sequenciando genes desnecessários", diz Simpson. Com o novo método criado por Simpson, os pesquisadores brasileiros pretendem sequenciar apenas os 3% relevantes. "Estamos selecionando o material", informa Simpson, que não revela o processo detalhado até conseguir patentear o método nos Estados Unidos.
O método será adotado por 25 laboratórios da Rede Onsa (Organização de Sequência de Nucleotídeos e Análise) da Fapesp.

mockup