Curitiba- Todo ano, na época de inverno, o mar do litoral do Paraná ganha novos habitantes, como os pinguins, que vêm da região da Patagônia, na Argentina e Uruguai, os albatrozes e petrels, aves da Antártica e Subantártica. O litoral do Estado é o ponto de invernada dessas e outras espécies, que migram para fugir do frio intenso. Na primavera, quando as temperaturas começam a subir, fazem o caminho inverso, retornando a seus habitats para reproduzir.
Apesar da migração ser um fenômeno comum, o aparecimento de pinguins na beira das praias sempre causou uma falsa impressão de que as espécies teriam se perdido. Isso acontece porque o pinguim só vem para a areia quando tem algum problema e, assim, a população só tem contato com espécies que estão debilitadas ou mortas. ''Se você sair de barco, vai ver que em uma distância de 50 a 60 quilômetros da costa há milhares de pinguins saudáveis, pescando'', diz o biólogo Ricardo Krul, professor do Centro de Estudos do Mar, ligado à Universidade Federal do Paraná (UFPR) e localizado em Pontal do Sul.
Na última terça-feira, os pesquisadores encontraram 87 pinguins mortos, em um trecho de apenas oito quilômetros entre os balneários de Pontal do Sul e Shangri-lá. A quantidade de mortos é grande, de acordo com o professor, mas ele diz que só será possível afirmar se os óbitos são superiores a outros anos no final do inverno. Quinzenalmente pesquisadores do centro fazem caminhadas na praia para verificar a existência de animais mortos e outras ocorrências estranhas ao habitat. Nessa rotina, os pinguins são monitorados em 12 caminhadas realizadas no inverno.
''Todo ano há um número grande de mortos. Uma vez chegamos a contar 168 em uma caminhada'', conta. Este ano já foram encontrados 91 mortos, sendo quatro na caminhada do dia 22 de junho, e 87 na última terça-feira. Neste ano o Centro encontrou seis pinguins vivos. Destes, dois morreram e os outros quatro após um processo de reabilitação serão levados novamente para alto-mar na próxima semana.
O que intriga os pesquisadores é que em anos anteriores a maioria dos animais que chegava à praia estava com as plumagens cheias de óleo, sinal de que não tinha resistido à poluição provocada pelos navios. Este ano, todos os animais encontrados estão limpos. Eles acreditam que a maioria se engatou em redes de pesca, não conseguiu escapar e morreu afogada. Como trata-se de animais jovens, com menos de um ano de idade, de acordo com Krul, é normal haver uma perda maior. ''É a primeira jornada deles, que não têm domínio do ambiente e não reconhecem o perigo da rede de pesca'', diz.
A espécie encontrada no Paraná é o ''Pinguim de Magalhães'', de tamanho pequeno, atingindo, no máximo 65 centímetros e 4,5 quilos.

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