São Paulo, 30 (AE) - De acordo com quatro pesquisadores estrangeiros, o uso controlado do amianto tipo crisotila nas indústrias brasileiras não é perigoso para a saúde dos trabalhadores. O suíço David Bernstein, consultor em toxicologia para a Comissão Européia, o professor canadense Corbett Mc Donald, o pesquisador australiano Geoffrey Berry e Frederick Pooley, da Universidade de Cardiff, no País de Gales, vão explicar seus estudos e debater as consequências da exposição ao amianto na saúde dos operários em uma conferência internacional sobre amianto, nesta quinta e sexta-feiras na Fundacentro, em São Paulo.
Bernstein explica que a fibra mineral chamada crisotila tem características que permitem sua eliminação pelo organismo. Outros tipos de amianto (anfibólios), que foram usados sem controle na Europa, não são completamente eliminados e podem causar graves doenças pulmonares. A asbestose, o mesotelioma (tumor maligno) e o câncer de pulmão são três exemplos. "Os fumantes têm 15 vezes mais chance de desenvolver câncer de pulmão do que um trabalhador exposto ao pior tipo de amianto", alerta Berry, professor de epidemiologia.
Os pesquisadores afirmam que os vários tipos de amianto não podem ser confundidos. A fibra que é retirada da Mina Cana Brava, explorada pela Eternit em Minaçu (GO), é crisotila pura. Isso significa que não há mistura com outros tipos mais agressivos.
O professor Mc Donald informa que pesquisas realizadas no Canadá com trabalhadores expostos a crisotila contaminada com anfibólio, chegaram a resultados satisfatórios para os padrões de saúde ocupacional. Os operários canadenses ficaram expostos a 100 fibras/cm3.
No Brasil, apesar da lei admitir até 2 fibras/cm3, o ambiente da mina da Eternit em Goiás tem apenas 0,2 fibra/cm3. O limite de tolerância, para Mc Donald, é de 20 fibras/cm3.O presidente da Eternit, Antonio Luiz Aulicino, disse hoje que os países emergentes não se podem dar o luxo de simplesmente abandonar a produção de amianto como está fazendo a União Européia.
O grupo francês Saint-Gobain, acionista majoritário da Brasilit, braço industrial do conglomerado no Brasil, anunciou hoje que não pretende mais participar da produção de amianto. Com isso, deixará de ser sócio (15%) da Eternit, outro grande fabricante do produto. Nos países emergentes, o amianto - utilizado na produção de telhas, canos e caixas dágua - funciona como um grande benefício social, com os produtos chegando às classes populares a preços bastante competitivos. O consumo anual na China chega a 400 mil toneladas; no Brasil, 200 mil toneladas e na Índia, 150 mil toneladas.
Aulicino disse estar surpreso com a decisão do sócio francês. Segundo ele, o faturamento da Eternit no ano passado ficou próximo dos R$ 300 milhões, com lucro de R$ 70 milhões. "A Eternit está adaptada à realidade nacional, contando também com uma marca muito forte", disse o presidente da companhia. A empresa tem sete fábricas e emprega 200 mil trabalhadores. Na próxima semana, Aulicino disse que pretende reunir os sócios para discutir a saída da Saint-Gobain da sociedade.

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