A historiadora formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e pesquisadora do Observatório Interamericano de Biopolítica, Fernanda Takitani, é uma das principais vozes no País contra a adoção da questão de gênero nos currículos escolares. Ela é católica e engajada nos movimentos da igreja, mas faz questão em deixar claro que o posicionamento contra o gênero não tem relação com religião. "Mesmo que não fosse religiosa, não aceitaria essa ideologia sem conexão com a realidade. Não há base científica nisso", critica.
Segundo Fernanda, a ideologia de gênero tomou a forma atual no início dos anos 1990, na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos, com a obra "O Problema do Gênero", da professora Judith Butler. Ela conta que o conceito foi absorvido por grupos feministas. "Esse pensamento é de uma professora oriunda das cadeiras da retórica, sem base científica. Foi abraçado por feministas que não se deram conta que, ao se negar diferença natural entre homem e mulher, há um esvaziamento do sujeito feminino", comenta.
Para a pesquisadora, a maioria das pessoas não está preparada para o que ela define como uma discussão antropológica. "É impossível debater a fundo o tema sem citar conceitos de luta pelo poder, marxismo e de interesses de fundações metacapitalistas no tema. Mas o que os pais têm que entender é que uma ideologia que pretende acabar com conceito de família não pode ser boa", argumenta. "É importante frisar que não aceitar essa ideologia não tem nada a ver com ser homofóbico. Ao aceitarmos o respeito pela pessoa humana, incluímos aí todo o tipo de pessoa. Ressaltar determinados grupos em detrimento a outros acaba por se criar um privilégio", completa. (C.F.)

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