Pesquisadora da Unesp critica combate a leishmaniose em Araçatuba
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Araçatuba, SP, 21 (AE) - A professora e pesquisadora da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), em Araçatuba, a 540 quilômetros da capital, Maria Cecília Luvizoto, criticou hoje o trabalho de combate a leishmaniose na cidade. Segundo ela, a doença - descoberta em cães há cerca de um ano em pesquisa desenvolvida pela faculdade - não vem sendo combatida na velocidade necessária para evitar o aumento do contágio humano. Três pessoas já foram contaminadas e uma morreu.
A pesquisadora diz ter alertado as autoridades sanitárias quando o número de cães contaminados não era tão grande. "Há um ano, a Secretaria Municipal de Saúde chegou a duvidar da existência da doença em proporções tão alarmantes", comentou. Maria Cecília afirma que, atualmente, o maior problema é a lentidão na execução dos animais contaminados. Ela defende a instalação de barreiras de fiscalização nas estradas para impedir que cães de regiões afetadas migrem para outras. A Secretaria Estadual da Saúde, que realiza um inventário estatístico da doença em todo Estado, já localizou animais com leishmaniose nas regiões de Bauru e Presidente Prudente. Crime - Para a pesquisadora, a prefeitura deve transformar a ocultação de cães doentes em crime e usar força policial, caso necessário para consumar o extermínio. Hoje, com mais de mil animais sacrificados, Araçatuba projeta uma estatística de pelo menos mais 3 mil que estão convivendo com a população e seriam transmissores potenciais para o homem.
O secretário municipal de saúde, Antônio Rubens Araújo disse que os procedimentos de combate, tanto dos cães doentes quanto do mosquito vetor ("birigui", mosquito palha) estão sendo coordenados pelo Ministério da Saúde. "Tudo para nós é novidade", disse Araújo referindo-se à falta de informações técnicas para realização de um combate eficiente. Ele considera prematuro o uso da força policial para sacrificar os animais.
A aplicação de veneno para redução do mosquito vetor, presente em toda área urbana do município, só vem sendo realizada, segundo Araújo, num raio de 200 metros onde houve ocorrência de zoonose ou transferência do protozoário do cão para o homem. De acordo com o secretário, a pulverização da cidade toda não é conveniente por dois motivos: o produto é tóxico e exige que a família fique ausente da casa pelo menos por cinco horas. O segundo motivo é que ainda não se tem conhecimento da capacidade de adaptação do mosquito ao inseticida, e quanto maior for seu uso, mais rápido ele poderá desenvolver anticorpos.


