Porto Alegre, 14 (AE) - A pesquisadora Maria Irene Baggio, da Embrapa ( Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Trigo de Passo Fundo, defendeu hoje (14) a liberação imediata para plantio comercial das cinco variedades de soja transgênica produzidas pela Monsanto e aprovadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). O cultivo do produto, liberado pelo Ministério da Agricultura, está suspenso no Brasil por liminar da Justiça Federal, que acolheu mandado de segurança impetrado pelo Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) de São Paulo.
Durante simpósio sobre plantas transgênicas na 51ª Reunião Anual da SBPC, Maria Irene afirmou estar "preocupada" com o atraso que a "compreensão inadequada" sobre o assunto pode causar ao País. Em relação à soja da Monsanto, ela apresentou uma série de testes que foram feitos com a cultura antes da sua aprovação.
A pesquisadora afirmou que não existe nenhuma produção de alimentos com "risco zero". Ela afirmou ser necessário avaliar as vantagens e desvantagens de cada tecnologia, equilibrando-a com objetivos de curto e longo prazo no aumento da produção de alimentos para a população. Maria Irene também classificou de "irresponsável" a disseminação da idéia de que os transgênicos vão prejudicar os pequenos agricultores.
A professora Maria Helena Zanettini, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que também participou do simpósio, acrescentou que a transferência de genes entre plantas não é novidade. De acordo com ela, a polinização e o cruzamento de culturas provocam a modificação genética, sem que a população se preocupe com isso. Conforme Maria Irene, durante o governo de Napoleão a França conseguiu elevar em 5% o teor de açúcar na beterraba por intermédio de melhoramento genético.

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