Pesquisadora alerta para risco à saúde
Londrina - Para a bióloga Alba Lúcia Cavalheiro, pesquisadora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que faz parte do Grupo de Estudos Multidisciplinares (GEM) da Usina Hidrelétrica de Mauá, o enchimento do reservatório da Usina está sendo feito de forma ''precoce''.
Conforme Alba, dois grandes problemas deveriam ter sido solucionados antes do enchimento do reservatório. Um deles, conforme ela, é a queda da qualidade da água dos afluentes que desaguam no Rio Tibagi. ''Cidades próximas ao reservatório não têm estações de tratamento de esgoto. Com a água parada, a qualidade tende a piorar. É uma questão de saúde pública. O Tibagi abastece várias cidades da região, incluindo Londrina. A sociedade tem que participar diretamente dessa cobrança. Se você tem tendência genética para câncer, você acha que uma água de má qualidade não vai te afetar? Está aqui na nossa casa, é a água da torneira'', afirmou.
Para evitar esse problema, ela explica que é necessária a instalação de estações terciárias de tratamento de esgoto. ''O consórcio pode alegar que isso é responsabilidade do Estado, mas a responsabilidade é dos dois e eles tem que se unir e agir rápido'', alertou.
Outro ponto citado por Alba é em relação à medida compensatória. ''O cálculo não é, por exemplo: desmatou 5 hectares tem que comprar outro local com 5 hectares. Não, é mais complexo, tem várias questões embutidas''. De acordo com ela, em 2010 o grupo de estudo já havia sugerido um local, com 12 mil hectares. ''Mas até agora não houve retorno'', comentou.
A bióloga critica também o período escolhido para começar a encher o reservatório. ''Encher já é ruim, aquele local era o melhor de toda a bacia do Tibagi. Mas conseguiram escolher o pior momento, logo depois daquela chuva. O rio estava muito cheio, com bastante peixe, e de uma hora para outra diminuiu muito, algumas partes estão secas mesmo. Vai voltar, mas é complicado.''(D.B.)





