O pesquisador Joel Bicalho Tostes, viúvo de uma neta do escritor Euclides da Cunha, vai entrar na próxima semana com uma representação na Procuradoria da República no Rio contra o Arquivo Nacional. Segundo ele, há cerca de 20 anos a família procura pelo processo criminal da morte de Euclides da Cunha Filho, assassinado, como o pai, pelo amante da mãe, o oficial Dilermando de Assis. Dos autos, que estavam arquivados na instituição, constam cartas e documentos inéditos sobre a tragédia que chocou o Brasil no início do século.
No final dos anos 60, Tostes esteve no Arquivo Nacional e consultou o processo, de número 333/1916. Foi a última vez que ele pôs os olhos nos documentos. Em meados da década de 70, ele voltou a procurar o processo - e já não conseguiu achá-lo. Em setembro do ano passado, o pesquisador voltou à carga e recebeu da coordenadora de documentos escritos do arquivo, Silvia Ninita de Moura Estêvão, informação de que o processo estaria no Museu do Judiciário. Era engano, porém. ‘‘O museu me informou que possuía o processo da morte de Euclides da Cunha, pai, mas não o do filho’’.
Na última correspondência, datada de 26 de novembro, a coordenadora apontou que, apesar das buscas, ‘‘não se encontrou explicação alguma sobre o que aconteceu com uma série de processos da relação do STM (Superior Tribunal Militar)’’ - os processos do caso foram enviados ao arquivo pelo tribunal.
O diretor do Arquivo Nacional, Jaime Antunes, garantiu que quando o pesquisador voltou a procurar pelo processo, as buscas não pararam. Primeiro, a equipe verificou os arquivos do STM e nada achou. Os pesquisadores também estão vasculhando documentos das 21 varas criminais do Rio. ‘‘Se não acharmos ali, o jeito vai ser abrir caixa por caixa’’, disse Antunes. As estantes do Arquivo Nacional cobrem o equivalente a 50 quilômetros.

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