Rio, 28 (AE) - O pesquisador Joel Bicalho Tostes, viúvo de uma neta do escritor Euclides da Cunha, vai entrar na próxima semana com uma representação na Procuradoria da República no Rio contra o Arquivo Nacional. Segundo ele, há cerca de 20 anos a família procura pelo processo criminal da morte de Euclides da Cunha Filho, assassinado, como o pai, pelo amante da mãe, o oficial Dilermando de Assis. Dos autos, que estavam arquivados na instituição, constam cartas e documentos inéditos sobre a tragédia que chocou o Brasil no início do século.
No final dos anos 60, Tostes esteve no Arquivo Nacional e consultou o processo, de número 333/1916. "Não tirei cópia, porque estava pesquisando outros temas da vida de Euclides da Cunha, e lamento até hoje não ter feito isso", contou. Foi a última vez que ele pôs os olhos nos documentos. Em meados da década de 70, ele voltou a procurar o processo - e já não conseguiu achá-lo. "Recebi seguidas vezes a informação de que os documentos tinham ido parar numa caixa errada e sempre me pediam para voltar algum tempo depois", afirmou Tostes, que passou anos indo periodicamente ao Arquivo Nacional para ver se a papelada havia sido encontrada.
Em setembro do ano passado, o pesquisador voltou à carga e recebeu da coordenadora de documentos escritos do arquivo, Silvia Ninita de Moura Estêvão, uma informação confortadora: o processo estava no Museu do Judiciário. Era engano, porém. "O museu me informou que possuía o processo criminal da morte de Euclides da Cunha, pai, mas não o do filho", disse Tostes, que voltou a cobrar do Arquivo Nacional uma resposta.
Omissão - Na última correspondência, datada de 26 de novembro, a coordenadora apontou que, apesar das buscas, "não se encontrou explicação alguma sobre o que aconteceu com uma série de processos da relação do STM (Superior Tribunal Militar)" - os processos do caso foram enviados ao arquivo pelo tribunal. "Houve uma imperdoável omissão do Arquivo Nacional por esses anos todos e, por isso, vou à Justiça", afirmou Tostes. "Quando procurei o processo nos anos 70, eles foram capazes de achar a ficha da consulta que eu havia feito no final da década de 60, um papel perfeitamente dispensável, mas até hoje não sabem de documentos raros e valiosos como os do caso Euclides da Cunha Filho".
O diretor do Arquivo Nacional, Jaime Antunes, garantiu que, desde o ano passado, quando o pesquisador voltou a procurar pelo processo, as buscas não pararam. Primeiro, a equipe do arquivo verificou os arquivos do STM e nada achou. Depois, viu se algum juiz solicitou os autos na década de 60 e está fazendo o mesmo trabalho para a década de 70.
Os pesquisadores também estão vasculhando os documentos das 21 varas criminais do Rio que estão no arquivo. "Se não acharmos ali, o jeito vai ser abrir caixa por caixa", disse Antunes. As estantes do Arquivo Nacional cobrem o equivalente a 50 quilômetros. "Será um trabalho longo, mas, se puder contar com a ajuda de estagiários de História, vamos poder reorganizar todo o arquivo anterior à informatização e achar não apenas este, mas qualquer outro documento que esteja desaparecido", anima-se.

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