"Nós, os estrangeiros, dependemos muito dessa bolsa. Viemos ao Brasil para contribuir com a ciência", desabafou Fernando Vladimir Cerna Ñahuis
"Nós, os estrangeiros, dependemos muito dessa bolsa. Viemos ao Brasil para contribuir com a ciência", desabafou Fernando Vladimir Cerna Ñahuis | Foto: Daniel Procópio/Agência UEL



O engenheiro elétrico peruano Fernando Vladimir Cerna Ñahuis está no Brasil desde 2011. Após concluir o mestrado e o doutorado no interior paulista, em 2017 ele veio para Londrina para iniciar o pós-doutorado em eficiência energética na UEL (Universidade Estadual de Londrina). Ñahuis só consegue manter o foco no seu projeto de pesquisa porque conta com uma bolsa da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) que lhe permite arcar com as despesas básicas de moradia, alimentação e transporte.

Quando soube da intenção do governo federal de cortar os recursos repassados à Capes, o estudante foi tomado pela insegurança, frustração e desânimo. "Nós, os estrangeiros, dependemos muito dessa bolsa. É uma ajuda importante. Viemos ao Brasil para contribuir com a ciência, nos dedicamos muito, sacrificamos muitas coisas em nosso país de origem e estou contente em contribuir aqui. Gostaria de ficar, mas por enquanto sou bolsista e essa possibilidade de corte desmotiva muito", desabafou.

Ficar sem o financiamento, afirmou Ñahuis, não significa apenas perder os repasses mensais que lhe permitem viver no Brasil. Seu objeto de pesquisa são os veículos elétricos e a forma de navegação sustentável que envolvem ideias, projetos e uma importante parceria estabelecida com professores de universidades na Finlândia e na Espanha para potencializar a pesquisa e promover um intercâmbio. "Mas tudo isso está relacionado à pesquisa que desenvolvemos e, para isso, dependemos do apoio econômico. Como estrangeiro, eu teria que abandonar o trabalho."

O engenheiro prevê o impacto que o corte de recursos produziria também nos futuros pesquisadores. "Existem muitos alunos que estão começando a iniciação científica agora. Se eles virem que não há apoio econômico, que isso é retirado dos pesquisadores envolvidos, ficarão desmotivados. E os pesquisadores com quem fazemos parceria também veriam que aqui não há possibilidade de estabelecermos essas parcerias. É um processo irreversível. Se o governo fizer o corte, vai desmontar a ciência", prevê Ñahuis.(S.S.)

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