Pesquisador Milton Alcover morre aos 85 anos
Da Redação
O pesquisador Milton Alcover, 85 anos, um dos mais importantes do Paraná, faleceu ontem em Londrina, por volta das 16 horas. A família apontou como causa a morte natural. No dia 13 de agosto, ele havia recebido o título de cidadão honorário de Londrina pelos serviços prestados à comunidade. Também ocupava a cadeira 25 da Academia de Letras, Ciências e Artes de Londrina.
Alcover nasceu em Santos (SP), em setembro de 1914, e formou-se egenheiro-agrônomo pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), na turma de 1937. Apesar da idade e da aposentadoria, conquistada há 15 anos, Milton Alcover era considerado um homem viciado em trabalho. Fico 25 horas ligado, confirmou no final do mês passado, em entrevista à Folha.
Nos últimos anos, além de pesquisas na área de plantas medicinais, ele dividia parte de seu tempo com estudos sobre o analfabetismo. Um País com analfabetos não vai para a frente, costumava dizer. Alcover chegou a Londrina em 1973, convidado para trabalhar no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), fundada um ano antes. Tornou-se responsável pelos estudos de melhoramento de trigo, cultura pela qual foi grande defensor. Também colaborou com o lançamento de duas variedades inéditas: a Iapar 1-Mitacoré e Iapar 3-Aracatu.
A partir de 1979, Alcover fez um importante trabalho de diversificação de culturas. Foi quando iniciou pesquisas com plantas chamadas potenciais, em que incluía também as plantas medicinais. Organizou canteiros com sementes de gergelim, girassol, centeio, colza, triticale, passando por alfafa, ervilha, grão-de-bico, até a mucuna, feijão da seca, entre outros. O trabalho foi realizado até 1984, quando Alcover desligou-se do Iapar. Mesmo assim, ainda ficou na instituição por mais dois anos, como consultor.
Antes de Londrina, o pesquisador trabalhou durante 35 anos no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), no Estado de São Paulo, um dos mais importantes do País. Lá, desenvolveu diversos trabalhos importantes, como a criação do trigo IAC 5-Maringá, uma variedade com melhor produtividade e alta tolerância a doenças. O sucesso foi tão grande que o produto chegou a países como México e Austrália.
Outro trabalho importante, nesta época, foi desenvolvido em Capão Bonito (SP): um programa voltado para a pequena indústria familiar, através da fabricação de embutidos, defumados, doces, sucos e outros produtos. Boa parte dessa experiência ele trouxe ao Paraná. O corpo de Milton Alcover está sendo velado na capela da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf). O enterro será hoje, às 17 horas, no cemitério Parque das Oliveiras (zona leste).





