Pesquisador critica modelo de globalização em reunião da SBPC
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de julho de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 12 (AE) - O professor Henrique Rattner, da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), defendeu hoje, no primeiro dia da 51.ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
a integração "por baixo" dos países do Mercosul como forma de reduzir as disparidades entre os países do bloco e entre os grupos sociais dentro deles. De acordo com ele, a articulação econômica comandada hoje pelas "empresas transnacionais" e "parte da burocracia" dos Estados-membros "atropelam" todos os demais setores e "destroem antes de construírem algo sólido".
Os simpósios mais procurados no primeiro dia da reunião foram os que apresentaram as maiores críticas ao modelo de inserção "dependente" do Brasil e dos seus parceiros do Mercosul no processo de globalização da economia.
Mercado - A constituição do mercado comum, conforme o professor, deve avançar sem desestruturar as economias locais, o que exige a participação de instituições comunitárias, organizações não-governamentais (ONGs) e outros segmentos da sociedade. Essa estrutura, segundo ele, não significa abandonar o princípio de interdependência intrínseco à integração, ao mesmo tempo em que acrescenta a ela o componente da "solidariedade" social.
Globalização - Para Rattner, que abriu o simpósio Desafios da Integração Regional do Mercosul, a globalização da forma como está sendo conduzida leva à "centralização de recursos nas mãos de poucos países, grupos e indivíduos". O processo, de acordo com ele, está aumentando a desigualdade na distribuição de renda, o desemprego e os problemas sociais e levando à "ruína" as pequenas empresas.
O professor elevou o tom das críticas ao classificar de "espúrios" os aumentos de produtividade exigidos pela integração "à custa da miséria daqueles que ficam excluídos do trabalho". De acordo com o professor, a sociedade deve ter "muita desconfiança" diante das afirmações de que a "integração seja sinônimo de desenvolvimento".


