''O futuro para quem perdeu um dente não será um implante, mas a reconstrução total do dente''. A afirmação é do professor da Universidade de Michigan (EUA), Jacques Nor, que ministrou um curso para dentistas de Londrina e região durante a Jornada Odontológica da Universidade Norte do Paraná (Unopar), que se encerrou ontem. O professor, que é de Porto Alegre (RS), integra o grupo de pesquisadores do National Institutes of Health (NIH), um dos principais órgãos de saúde dos Estados Unidos.
A novidade, segundo Nor, é possível atráves da tecnologia de engenharia de tecidos dentários. Equipamentos de alta tecnologia são utilizados para induzir a regeneração de tecidos, tendo como ''matéria-prima'' o mesmo tecido perdido. ''A ciência já fechou o ciclo de produtos para restaurar os dentes. Então, nada melhor do que usarmos aquilo que Deus fez'', ilustrou.
Jacques Nor disse que a pesquisa já trabalha com a reconstrução do esmate, dentina e osso. Há ainda outra pesquisa, a da professora Pamela Yelick, também do NIH, que demonstra que é possível repor um dente perdido por inteiro. O tempo de reconstrução do dente, de acordo com o pesquisador, é o mesmo da formação natural dos dentes, ou seja, em poucos meses. Os estudos já estão sendo aplicados em humanos e, como estima, em cinco anos poderá estar disponível para a sociedade. O custo, segundo ele, deverá ser o mesmo dos tratamentos dentários atualmente utilizados ''Se for muito mais caro não teremos clientes'', brincou.
Outra novidade trazida pelo professor é a vacina anticárie. O produto como explica Nor, é um líquido com anticorpos produzidos através de uma modificação da bactéria Mutans streptococci, responsável pela cárie dentária. A vacina é pincelada entre os dentes e evita que a bactéria colonize a estrutura do dente, sem oferecer riscos à saúde da pessoa. A produção dos anticorpos é feita em uma planta, da família dos tabacos.
A vacina deverá ser um instrumento eficiente no controle de cárie especialmente para uma parcela da população que desenvolve a doença mesmo se utilizando das técnicas de prevenção. As pesquisas com a vacina estão sendo aplicadas em humanos, há sete anos, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Desde 1999, o que se avalia é a sua eficácia. O produto espera aprovação da Food and Drug Administration (FDA) - agência de saúde e alimentos americana. Nor estima que em cinco anos ela está disponível no mercado com um custo que viabilize sua aplicação no serviço público de saúde bucal.
A cárie, informou o pesquisador Jacques Nor, é a principal doença infecciosa no mundo, literalmente ''um problema de saúde pública''. Em números, a incidência é superior aos casos de gripes. Mais que o desconforto da dor, a cárie, alertou, é um grave risco para a saúde geral da pessoa. ''Uma pessoa com muita cárie ou doença na gengiva corre mais risco de desenvolver doenças cardíacas e artrites. Já mulheres grávidas estão mais propensas a terem bebês prematuros''.
O professor elogiou o serviço de saúde bucal desenvolvido em Londrina que, comparou, coloca a cidade no mesmo nível de prevenção dos Estados Unidos. ''A clínica de bebês é um exemplo para o mundo''.

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