Curitiba- Quando se fala em insetos, microorganismos, fungos, bactérias e inverterbrados é difícil imaginar que esses seres, muitas vezes, invisíveis, possam trazer algum benefício para a humanidade. Mas pesquisadores brasileiros e canadenses, principalmente, levantaram essa questão na conferência das Nações Unidas sobre biodiversidade, não só por acreditar no potencial de diversidade biológica do solo, mas por entenderem que esse universo subterrâneo também sofre sérias ameaças.
''A biodiversidade do solo é pouco conhecida. E, por isso, não sabemos o quanto e o que estamos perdendo'', alertou o pesquisador da Embrapa Londrina, George Brown, que participa da COP-8 como observador.
Segundo ele, o que a comunidade científica está pleiteando junto às delegações oficiais na conferência é que essa questão seja inserida como programa de trabalho dentro da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). A Embrapa Londrina realiza estudos para identificação dos seres vivos existentes no solo e sua possível aplicação em melhorias, como por exemplo, em fertilidade.
O Programa Nacional das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com co-financiamento do Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), desenvolve projetos de conservação e sustentabilidade da biodiversidade do solo. No Brasil, a equipe é coordenada pela Universidade Federal de Lavras, em Minas Gerais. Mais de 15 mil espécimes foram catalogadas entre cupins, besouros, formigas, fungos e bactérias , muitas das quais acredita-se serem novas para a ciência.
Brown ressalta que o aprofundamento nos conhecimentos sobre a biodiversidade do solo é importante, também, por sua influência direta na sustentabilidade de outros ecossistemas, como as florestas. Essa fonte de vida intocada e desconhecida pode, ainda, ser uma potencial fonte de matéria-prima para biofertilizantes e novas drogas farmacêuticas. Ele lembrou que foi a partir de um fungo do solo que se chegou à penicilina.

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