Brasília, 10 (AE) - Depois de 11 anos, o Brasil finalmente irá conhecer o perfil da qualidade dos serviços de saneamento oferecidos à população nos 5.507 municípios brasileiros. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) está realizando, a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB/2000) que será custeada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) em parceria com a Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República e a Caixa Econômica Federal.
Além de conhecer quem são as prestadoras de saneamento em cada município e a qualidade do serviço, a pesquisa abordará ainda as condições ambientais nas cidades e seus reflexos para a saúde do brasileiro. O trabalho de campo já foi iniciado no Pará
Pernambuco, Paraíba e Espírito Santo e, neste mês, será estendido a outros Estados. A previsão é de que até agosto todos os Estados sejam visitados pelos 800 técnicos credenciados. O projeto, orçado em R$ 1,2 bilhão, inclui a divulgação dos resultados em uma publicação e também em CD-ROM.
A pesquisa deste ano pretende ser mais abrangente que a realizada, pela primeira vez, em 1989. Não serão visitados apenas os municípios, mas também os distritos. O levantamento também não se limitará aos dados sobre abastecimento de água, tratamento do esgoto e do lixo. Incluirá ainda a questão da drenagem urbana, ou seja, como está sendo feito o escoamento de águas paradas. Alvos - Todos esses assuntos constarão dos questionários que os técnicos do IBGE levarão às prefeituras, onde entrevistarão representantes municipais sobre o local da captação de água, o volume de água distribuída, a extensão das redes de abastecimento, os esgotos sanitários e o tratamento de esgotos. Também será identificada a competência dos órgãos públicos e dos privados sobre o fornecimento desses serviços no município. Os pesquisadores levantarão ainda a frequência da coleta, o volume e o depósito de lixo doméstico.
E serão observadas as implicações de enchentes e erosões na qualidade de vida das pessoas. Os resultados da pesquisa serão aproveitados na definição de políticas públicas. "Poderemos aperfeiçoar o trabalho e direcionar os recursos para as regiões mais carentes", prevê o diretor-geral do Departamento de Saneamento da Funasa, Sadi Coutinho Filho. Ele comenta que determinadas doenças estão associadas diretamente à falta de saneamento básico, entre elas a dengue, leptospirose, esquistosomose, verminoses e doenças de Chagas.
Segundo ele, problemas no abastecimento de água podem propiciar a transmissão da cólera, da febre tifóide e da tracoma (infecção nos olhos). A falta de drenagem contribui para o crescimento da malária, enquanto que um esgoto precário favorece o surgimento da esquistosomose. O lixo tambám ajuda a propogar doenças. No caso da dengue, o combate à doença começa pela identificação dos locais onde o mosquito Aedes aegypti está se reproduzindo. Técnicos da Funasa já encontraram larvas do mosquito até em uma tampinha de refrigerante que acumulou água da chuva, em um quintal.

mockup