Rio- O Ministério da Saúde vai patrocinar um estudo nacional para avaliar a eficiência do uso das células-tronco autólogas (retiradas do corpo do próprio doente) no tratamento de doenças cardíacas graves. Vão participar 1.200 pacientes voluntários. O programa deve custar R$ 13 milhões, nos cerca de três anos, e R$ 5 milhões serão liberados ainda em 2004.
O Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras (INCL), na zona sul do Rio, começa o trabalho em dezembro. Até o fim do mês o Ministério vai selecionar quatro instituições que funcionarão como âncoras para a pesquisa.
As células-tronco são retiradas da medula do próprio paciente e injetadas no coração para regenerar o tecido muscular. A técnica já é utilizada em hospitais de referência, como o Instituto do Coração, em São Paulo, e o Pró-Cardíaco, no Rio. As experiências demonstram que o procedimento não tem riscos, mas a medição dos seus benefícios poderá fazer com que ele seja oferecido a um número maior de pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O ministro Humberto Costa, que esteve ontem no Rio, confirmou que os resultados do estudo servirão para o ministério definir se a terapia com células-tronco ''pode ser utilizada em substituição à revascularização e ao transplante cardíaco''. Costa volta à cidade em novembro para inaugurar as instalações de um centro de dados no INCL.
De acordo com o médico Antônio Carlos Carvalho, coordenador de ensino e pesquisa do INCL, as experiências já mostram que a técnica não oferece riscos. ''O procedimento é seguro. O que poderemos dizer com certeza, ao final de um ano acompanhando esses pacientes, é se a terapia pode beneficiar os pacientes e quanto'', disse.
O médico ressalta que a técnica é indicada para casos considerados muito graves. ''Não é para pessoas que sofreram pequenos enfartes, mas para aqueles pacientes que chegam a ter dificuldade de fazer pequenos esforços, alguns até para tomar banho''.
Segundo a diretora do INCL, Regina Xavier, o Instituto ficará responsável pelo cumprimento, pelo centros médicos participantes, dos protocolos estabelecidos a partir das experiências já feitas. Eles estarão organizados em torno das quatro instituições-âncora de acordo com o tipo de doença cardíaca. Serão estudadas a cardiopatia chagásica (decorrente da doença da Chagas), o infarto agudo do miocárdio, a cardiomiopatia dilatada e a doença isquêmica crônica do coração.

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