Rio - A estudante Renata Freitas Cesário Martins, de 15 anos, sofre de queda de cabelos por falta de vitaminas. Ela detesta verduras e legumes, mas não dispensa o chocolate nem a batata frita. No fim do ano passado, com 68 quilos, decidiu que era hora de parar de engordar. Já emagreceu sete quilos.
Os hábitos alimentares de Renata são exemplo do que consome um adolescente carioca. Eles se alimentam à base de batata frita, refrigerante, hambúrguer e biscoito recheado diariamente. Entre as verduras, costumam comer apenas um tipo: alface. Eles estão obesos, são sedentários e candidatos a doenças cardiovasculares no futuro.
Os dados fazem parte da tese de doutorado Avaliação Nutricional de Adolescentes em Função de Doenças Cardiovasculares, defendida na Universidade do Estado do Rio de Janeiro pela nutricionista Vera Chiara. Ela entrevistou 526 jovens com idades entre 12 e 18 anos por amostra probabilística, o que representa 400 mil adolescentes da cidade do Rio ou 80% da população nessa faixa etária.
Descobriu que 18% dos meninos e 13% das meninas são obesos, embora o consumo diário de caloria (2.900 no caso deles, e 2.800 para elas) não explique que estejam tão fora do peso. ''Apenas 20% desses jovens fazem algum tipo de exercício. O padrão de vida sedentário e a qualidade do alimento, com alto teor calórico e tipos específicos de gordura, talvez expliquem esse excesso de peso'', diz Vera.
A estudante Renata também não fazia exercícios. Agora decidiu mudar de hábito e se matriculou numa academia. O irmão dela, Victor, de 12 anos, vai jogar futebol e nadar. Ele sofre de obesidade mórbida e tem de perder 26 quilos hoje está com 68 quilos.
''Eles tinham uma alimentação à base de carboidratos, comiam muita massa. Quando me separei dos pais deles, o Victor entrou em depressão e ganhou muito peso'', conta a terapeuta Apsara Freitas, de 35 anos. ''Agora que ele está bem, vamos cuidar da dieta dele. Mas é uma batalha muito chata'', reconhece.
Ao tabular os questionários, Vera descobriu que a ingestão de alimentos calóricos independe da classe social. ''É a cultura da idade. Eles também têm o hábito de pular refeições para lanchar em fast food'', diz. Pelo menos uma vez por dia, os adolescentes tomam refrigerantes (90% deles) e comem batata frita (80%), biscoitos recheados (75%), chocolates, bombons e achocolatados (70%), linguiças e salsichas (65%).
Para Vera, mais preocupante que a obesidade, é o fato de a gordura estar acumulada no tronco 30% dos meninos e 19% das meninas têm gordura concentrada nessa parte do corpo acima do que é considerado ideal. ''A parcela da população que morre de doenças cardiovasculares, que são as que mais matam, tem alto índice de gordura concentrado no tronco'', alerta.

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