Pesquisa revela que vendas on line podem atingir US$ 50 bi
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 22 (AE) - O "boom" das vendas pela Internet das lojas de varejo no ano passado será considerado pequeno frente ao cenário traçado para 2000. Uma pesquisa da Ernst & Young prevê que as vendas mundiais dupliquem, alcançando a cifra dos US$ 50 bilhões este ano. O chamado e-commerce já faz parte do cotidiano de 17% das famílias nos Estados Unidos e de 10% na Inglaterra. No Brasil, esse volume ainda é pequeno e não contabilizado, mas as perspectivas são de um crescimento forte nos próximos anos.
"Os negócios vão disparar em pouco tempo", afirmou Sérgio Romani, sócio da Ernst & Young. "Só a rede Lojas Americanas, que disponibilizaram o serviço no Brasil este ano, já tem planos de movimentar em vendas pela Internet cerca de R$ 300 milhões até 2003." A consultoria pretende iniciar uma pesquisa ampla sobre o perfil de consumo do internauta brasileiro no ano que vem. Os primeiros dados já apontam para um comportamento semelhante ao dos consumidores americanos.
A pesquisa da Ernst & Young analisou as vendas das empresas de varejo na Internet nos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Austrália, França e Itália. "O estudo é de importância fundamental para entendermos o que pode acontecer no Brasil nos próximos anos", explicou Romani.
Além do crescimento no número de negócios na rede, o estudo também revelou que os consumidores estão gastando mais na Web. Os compradores americanos gastaram em média US$ 1,2 mil no ano passado, quatro vezes mais do que em 1998. Valor semelhante às despesas dos franceses no mesmo período. Os gastos dos italianos girou em US$ 938,00, dos ingleses em US$ 884,00 e dos australianos em US$ 854,00. Os mais comedidos foram os canadenses, com despesas médias de US$ 770,00. A consultoria projeta um aumento ainda maior nos gastos via Internet.
A expectativa é de que os consumidores americanos destinem um terço de suas despesas para a Web em 2002. Atualmente, esse percentual gira em torno de 15%. "Essa tendência será imitada pelos consumidores italianos, que também irão dobrar o valor de seus gastos via Internet", afirmou Romani no estudo. "Já no Canadá, Austrália, França e Inglaterra esses números irão triplicar." A Ernst & Young também identificou uma grande disposição dos consumidores de migrarem para a Internet. No Canadá, 85% das famílias que nunca compraram pela rede pretendem fazer nos próximos anos. A situação é parecida na França (80%), Estados Unidos e Itália (79%). O menor interesse foi apurado na Inglaterra, com 75% dos consumidores admitindo usar a Internet para fazer compram.
Pelo estudo, existe um empate entre os consumidores homens e mulheres nos Estados Unidos. Nos outros cinco países pesquisados, os homens ainda são maioria na Web. Os sites mais populares são os que vendem livros, CDs e produtos eletrônicos.


