Pesquisa revela que só 3% do varejo usa a Internet
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quarta-feira, 19 de abril de 2000
Por Vera Dantas 
São Paulo, 20 (AE) - Apenas 3% das empresas de varejo da Grande São Paulo estão utilizando a Internet para venderem seus produtos. Esse resultado, que surpreendeu o setor, faz parte de um levantamento sobre o desempenho do varejo virtual que começou a ser feito, no mês passado, pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP).
"Há uma febre de Internet e uma certa preocupação do varejo tradicional com o alardeado crescimento das vendas virtuais e, por isso, resolvemos pesquisar este mercado", diz o economista Fabio Pina, da FCESP. "O resultado obtido mostra dois aspectos distintos", comenta. "O primeiro é que as vendas por este meio ainda são incipientes e, o segundo, que o potencial do mercado é imenso."
O levantamento que será feito mensalmente com cerca de 700 empresas, em sua maioria de médio e pequeno porte, mostrou que boa parte dos entrevistados não está comercializando seus produtos por via eletrônica, o que inclui Internet e fax. Do total das empresas pesquisadas, 96% responderam que não estão vendendo seus produtos eletronicamente. Apenas 3% estão utilizando esse tipo de comércio e 1%, para a surpresa da FCESP, respondeu que não sabe. "Constatamos que os pequenos varejistas não têm uma noção clara do que é comércio eletrônico", diz Pina.
Entre os que já estão no comércio virtual, a maior parte pertence ao segmento de não-duráveis, basicamente os supermercados, com 7,2% das vendas. Em seguida, está o comércio automotivo, com 5% de vendas efetuadas por via eletrônica. As revendas não costumam aceitar pedidos de compra de veículos sem que o interessado compareça à loja para fechar o negócio. Mas o fato do consumidor consultar a Web para ver um modelo e tomar um decisão já é considerado como uma venda virtual.
Bens duráveis - No setor de duráveis - como eletroeletrônicos, livros, CDs e utilidades domésticas - 3,04% dos entrevistados estão comercializando seus produtos na Internet. O setor de semiduráveis - como roupas, tecidos e calçados - é o que menos tem utilizado a Web, somando apenas 0 5% dos entrevistados.
A participação do comércio eletrônico no faturamento das empresas é muito tímida, segundo revelou a pesquisa, e representa hoje, no máximo, 5% do total das vendas. Para 87% dos pesquisados, ela representa entre zero e 2% no faturamento da empresa e para 13% das companhias entrevistadas entre 3% e 5%.
Números - Pina acredita que em um ano a FCESP terá um quadro geral do desempenho das vendas pela Internet. "Vamos ter uma idéia dessa evolução e dos setores que estão crescendo mais", diz. Ele observa que o comércio eletrônico pode estar crescendo mês a mês muito mais do que se imagina, mas como a pesquisa está partindo de uma base mínima estes número podem não ficar muito visíveis.


