Belo Horizonte, 11 (AE) - Uma pesquisa realizada com 280 usuários de drogas injetáveis de cinco cidades brasileiras, todos participantes do programa de redução de danos da DST/Aids, do Ministério da Saúde, mostrou que 52,5% deles estão contaminados com o vírus. O levantamento, feito pelo grupo pesquisa em epidemiologia da Universidade Federal de Minas Gerais, durou cerca de um ano e foi divulgado hoje na capital mineira. Foram entrevistados integrantes do programa - que, entre outros distribui seringas a cerca de 1,4 mil usuários de drogas de 14 municípios brasileiros -, em São Paulo, Sorocaba (SP), São José do Rio Preto (SP), Porto Alegre e Itajaí (SC).
Segundo um dos coordenadores do DST/Aids, Luiz Fernando Marques, embora o dado seja alarmante, a pesquisa, a primeira realizada desde a implantação do programa, em 1994, trouxe uma outra informação "bastante positiva". "Observamos que 60% dos usuários de drogas entrevistados utilizam seringas descartáveis e não as compartilham com outras pessoas, o que é um avanço", afirmou.
Entre as cidades abordadas no estudo, a que apresentou maior índice de contaminação foi Itajaí, onde foram ouvidas 50 pessoas, 78% das quais portadoras. Em segundo lugar ficou São José do Rio Preto - de 45 pesquisados, 64,4% têm o vírus. Depois vem Porto Alegre, que teve o maior número de entrevistados (132) e contaminação de 48,5%. Em São Paulo apenas 15 pessoas foram consultadas, 46,7% das quais portadoras, e em Sorocaba, dos 38 ouvidos, 21,1% apresentaram resultados positivos nos exames de HIV.
De acordo com a pesquisadora Valeska Caiafa, da UFMG, o índice total de 52,5% de portadores de aids, entre os entrevistados, "pode ser ainda maior", se considerados os 7.929 usuários de drogas injetáveis do País registrados pelo Ministério da Saúde. "O objetivo principal da pesquisa foi fazer uma avaliação do programa de redução de danos, que nos desse subsídios para aprimorá-lo", disse.

mockup