São Paulo, 17 (AE) - Um estudo realizado entre pessoas saudáveis da classe média e alta paulistana mostrou que as deficiências nutricionais são regra e não exceção mesmo entre as classes abastadas. O trabalho avaliou o nível de várias vitaminas e sais minerais essenciais na corrente sanguínea de 36 pessoas com idade média de 32 anos. Constatou-se que 86% tinham falta de selênio, 50%, de vitamina B1, 44%, de magnésio e 17%, de enxofre, carências relacionadas ao aumento dos riscos de doenças cardiovasculares. Todas as pessoas avaliadas apresentavam deficiência de algum micronutriente.
A pesquisa, coordenada por Efrain Olszewer, professor da Faculdade de Medicina de Mogi das Cruzes, será apresentada no dia 25, em São Paulo, durante o 11.º Congresso Internacional de Nutrição Celular, Medicina Funcional e Biomolecular. "Acredito que essas deficiências se devem não só a maus hábitos alimentares, mas também à forma como os alimentos são produzidos; há estudos que provam que a absorção dos nutrientes pode ser prejudicada por agrotóxicos ou por metais pesados, presentes em alimentos produzidos em regiões contaminadas como certas áreas do Norte do País. Essas substâncias competem com os micronutrientes, ocupando seu lugar nas células", diz Olszewer. Ele lembra que células carregadas com mercúrio deixam de absorver selênio, zinco e cromo. Estudos - Segundo Olszewer, vários estudos mostram que a maior parte dos europeus e norte-americanos apresenta alguma deficiência nutricional. "São populações com hábitos alimentares bem diferentes; acho que, por isso, deveríamos pesquisar até que ponto as modernas técnicas produtivas, a qualidade do solo e a poluição podem ser responsáveis por essas carências", sugere.
No estudo feito em São Paulo, além das mencionadas, as principais deficiências constatadas na mostra já analisada foram de vitamina B5, cálcio e zinco. Uma em cada quatro pessoas avaliadas apresentou déficit de um ou mais desses micronutrientes. A vitamina B5 regula os processos de suprimento de energia. O cálcio é vital na prevenção da osteoporose e preservação dentária e de outros tecidos, enquanto a carência de zinco está associada à resposta imunológica alterada e regeneração da pele.
As deficiências foram mais frequentes nas mulheres. A carência de vitamina B9 foi verificada apenas entre elas, atingindo 17% da mostra. Já níveis baixos de vitamina B1, responsável pelo beribéri e por distúrbios no metabolismo energético, foram encontrados em 100% dos homens, mas apenas em 22% das mulheres. "O estudo sugere que os médicos devem aprender a observar sintomas como unhas quebradiças e queda de cabelo para podermos relacionar cansaço crônico, depressão e síndrome do pânico a eventuais carências de micronutrientes", alerta Olszewer. Testes - A pesquisa foi realizada por meio de testes laboratoriais. Os índices de vitaminas foram verificados por meio de exames plasmáticos feitos em jejum pela manhã e os índices de minerais por meio de exames de toda a urina produzida pelo organismo ao longo de 24 horas. Apesar dos resultados, Olszewer não recomenda que ninguém se automedique com complementos nutricionais ou vitaminas. "O excesso pode ser tão nocivo quanto a falta; o uso desses produtos deve ser feito com acompanhamento médico", conclui Olszewer, lembrando que, para absorver o cálcio, por exemplo, as células expelem magnésio.
O ideal, lembra o médico, é manter uma alimentação saudável, com muitas frutas e verduras, sempre muito bem lavados e consumidos o mais frescos possível, e evitar fast-food e enlatados.

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