Pesquisa revela que apenas 2% da população masculina brasileira acima de 20 anos sofre de impotência
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Por Gabriela Scheinberg, especial para a AE 
São Paulo, 27 (AE) - Apenas 2% da população masculina brasileira acima de 20 anos sofre de disfunção erétil, segundo um estudo com 2 mil homens realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que está em fase final de análise de dados. Esse número é baixo, se comparado aos índices de uma pesquisa realizada pela Universidade de Boston, nos Estados Unidos, em 1994, segunda a qual 10% dos homens apresentavam algum tipo de disfunção erétil - caracterizada pela dificuldade de ter uma ereção.
Segundo o pesquisador Joaquim Francisco de Almeida Claro
professor-assistente de Urologia da Unifesp, as peculiaridades da mulher brasileira e a diferença entre a alimentação em cada país contribuíram para a baixa incidência do problema no Brasil. Claro apresentou o estudo durante uma entrevista coletiva, em São Paulo, para lançar o remédio Vasomax, usado no tratamento de impotência sexual, que chegou ontem às farmácias brasileiras.
Enquanto o estudo norte-americano, com 1,7 mil voluntários, indicou que 58% dos homens acima dos 50 anos têm disfunção erétil, os dados da Unifesp revelaram que de 30% a 35% dos brasileiros sofrem desse problema. A maioria dos casos brasileiros, segundo Claro, é de causa psicológica e o grau do problema é leve. Os dados foram coletados por meio de uma avaliação do histórico clínico de cada homem entrevistado. "O estudo de Boston pode ter supervalorizado o número de homens que sofrem de impotência sexual", considerou. Os dados do estudo brasileiro serão apresentados no começo de maio no Congresso Norte-Americano de Urologia, em Dallas.
Um fator que pode explicar a diferença entre os números dos Estados Unidos e do Brasil é a alimentação. "Os americanos consomem mais gordura e têm taxas mais elevadas de colesterol do que os brasileiros", disse. Os alimentos ricos nessas substâncias podem provocar doenças como hipertensão e, com isso, aumentar a incidência de impotência sexual. Mulher - Claro enfatizou a importância da mulher brasileira nos dados obtidos com o estudo. "As brasileiras são muito mais predispostas ao sexo do que as demais", avaliou o médico. Ele acrescentou que um estudo realizado na Inglaterra e nos Estados Unidos revelou que 52% das mulheres preferiam fazer compras do que fazer sexo com seus maridos ou namorados.
Interessado em conhecer mais sobre a sexualidade da mulher, Claro receitou para algumas pacientes e colegas o Vasomax, remédio que atua na inibição da adrenalina, substância que impede a ereção em homens. "As mulheres têm o clitóris, que
para muitos, é considerado o pênis da mulher", disse o médico. O Vasomax teve efeito positivo nas mulheres que Claro observou: houve lubrificação da vagina e aumento do orgasmo clitoriano.


