Pesquisa revela que 15% da população brasileira é alcoólatra
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segunda-feira, 27 de setembro de 1999
Por Gabriela Scheinberg, especial para a AE 
São Paulo, 28 (AE) - Cerca de 15% da população brasileira é alcoólatra, de acordo com levantamento realizado pelo Grupo Interdisciplinar de Estudos de álcool e Drogas (Grea) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Dados obtidos em outros países giram em torno de 12% a 13%, segundo o coordenador do grupo, Arthur Guerra de Andrade.
O levantamento, que foi divulgado hoje por Andrade durante o Encontro álcool e suas Repercusões Médico-Sociais, em São Paulo, foi feito com base no cruzamento de dados obtidos no Grea, na Associação Brasileira de Bedidas (Abrabe), na Ambev e no Ministério da Saúde. De acordo com os pesquisadores, o País gasta 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano para tratar de problemas relacionados ao álcool, que variam desde o tratamento de um dependente até a perda da produtividade por causa da bebida. Já a indústria do álcool no País movimenta 3,5% do PIB.
"O País gasta o dobro para tratar problemas provocados pelo álcool do que usa para produzir a bebida", diz Andrade. "Não há nenhum país onde essa avaliação foi feita que ganhe mais do que perde com o álcool, mesmo considerando os grandes exportadores mundiais de bebida". Produção - Segundo Andrade, o País é o quinto maior produtor de cerveja do mundo, com a terceira maior empresa da área, a Ambev. Da produção da Ambev, que representa 70% do total do Brasil, 90% são destinados ao mercado nacional. "Do total de cervejas produzidas pela empresa, 35 milhões são engarrafadas por dia", afirma Andrade.
"Não sou contra o álcool", explica Andrade. "A bebida não provoca danos desde que seja consumida socialmente, de forma moderada". Para o especialista, as causas do alto número de pessoas dependentes de bebidas alcoólicas no País deve-se, principalmente, à cultura nacional. A cerveja, por exemplo, é aceita como uma bebida tradicional. "Você bebe no frio para esquentar e no calor para esfriar", diz. "Ela está sempre presente".
Sair para beber também faz parte da cultura do brasileiro, outro fator que, para Andrade, aumenta o número de usuários. A bebida alcoólica é facilmente encontrada em vários pontos do País a preços acessíveis. Não há uma regulação efetiva de quem compra. "A idade em que o adolescente começa a tomar álcool está cada vez menor", afirma, ressaltando que a média atual está em torno de 13 anos. Adolescentes - Para esses adolescentes, a melhor forma de evitar o consumo precoce é a informação e a educação. Os pais devem dar o exemplo. Andrade explica que, muitos pais, por beberem, não costumam impedir que seus filhos o façam. "Geralmente, a principal preocupação dos pais é a maconha", diz. "Mas é preciso saber que o álcool é a porta de entrada das drogas".
Um levantamento realizado pelo Grea indica que os filhos de país alcoólatras têm um risco até quatro vezes maior de desenvolver a dependência. "Existem também os fatores genéticos que predispõem ao vício", diz o médico.


