Pesquisa revela precariedade no atendimento a parturientes e recém-nascidos em Manaus
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quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Por Kátia Brasil, especial para a AE 
Manaus, 23 (AE) - Levantamento realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em 19 hospitais de Manaus
entre julho e dezembro do ano passado, concluiu que o número de leitos existentes nas maternidades destas instituições é insuficiente para a demanda de partos e que o atendimento de urgência para as mães de recém-nascidos de grande risco é deficiente. Das unidades pesquisadas, apenas uma, particular, mantém dois leitos e Unidade de Terapia Intensiva (UTI neonatal). O diagnóstico da grave situação está contido na pesquisa intitulada "Análise situacional do atendimento obstétrico perinatal na cidade de Manaus".
O trabalho inclui hospitais da rede pública, conveniada e particular. Outros problemas apontados são a falta de medicamentos básicos nas salas de parto, enfermeiros capacitados
assistência no pré-parto e vacinas. O levantamento mostra que a população aumentou e não houve melhoria do sistema de saúde. "A situação evolui fatalmente para um colapso do sistema com números alarmantes de mortes de mães e crianças recém-nascidas"
afirmou o pediatra Fabiliano Rodrigues, presidente da Sociedade Amazonense de Pediatria (SAP). A entidade coordenou a pesquisa realizada em conjunto com a Sociedade Amazonense de Ginecologia e Obstetricia (Sago).
O diagnóstco já foi distribuído a todas as autoridades de Saúde do Amazonas. A Unicef apresentou sugestões, que passam pela organização do serviço de saúde, criação da central de internação de partos, qualificação dos recursos humanos e implantação de serviços para vigilância epidemiológica. No ano passado, quando o diagnóstico foi proposto pelo Fundo, o objetivo era descobrir as causas da incidência de mortalidade infantil e materna na fase perinatal.
As taxas registradas eram de 42 mortos por mil nascidos vivos, sendo que 11% durante ou após o parto, e de 300 mulheres para cada cem mil crianças nascidas vivas. Na época, a insuficiência da assistência às gestantes no pré-natal ja era constatada pela Unicef. A dona de casa Neuracilda Venâncio, por exemplo, teve o filho em pé porque foi obrigada a preencher uma ficha para ter acesso à sala de parto da Maternidade Balbina Mestrinho. Pesquisa - Durante os seis meses de pesquisa o Unicef registrou taxa de 19.691 crianças nascidas vivas para 270 mortas. O índice de mortalidade infantil foi maior na rede pública, com 57,3% dos casos contra 16,1% dos hospitais particulares. "Com esse quadro preocupante, atualmente não temos capacidade nenhuma de diminuir esses índices. E inexistente o atendimento às crianças e mães com risco de vida", disse Rodrigues. Segundo ele, o diagnóstico apontou para a precariedade no atendimento pré, pós-parto e ao recém-nascido, demonstra total falta de prioridade política na atenção e assistência ao materno infantil nas 19 maternidades de Manaus.


