Pesquisa revela perfil sobre mortalidade
Lucinéia Parra
De Maringá
Pesquisa realizada pela enfermeira Udelysses Janete Veltrini Fonzar, coordenadora do setor de epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, revela que Maringá apresenta o mesmo perfil de uma cidade brasileira de grande porte, onde as principais causas de morte ocorrem em regiões específicas e de acordo com a classe social predominante. As principais, que são doenças cardiovasculares, neoplasias (cânceres) e causas externas (acidentes de trânsito, quedas, homicídio, suicídio entre outras),
A pesquisa foi realizada para a tese do curso de especialização em assistência de administração de enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM). O trabalho denominado Distribuição espacial da mortalidade por doenças cardiovasculares, neoplasias e causas externas no município de Maringá no ano de 1996, foi apresentado na semana passada.
O objetivo da pesquisa, diz Udelysses, foi demonstrar quais as principais causas de mortalidade por bairro. Para chegar ao resultado, Udelysses agrupou a população dos bairros por zona e cruzou com os números que a Secretaria de Saúde de Maringá dispõe sobre o índice e causas de mortalidade. No ano de 1996 - que foi o ano pesquisado pela enfermeira - as doenças cardiovasculares foram responsáveis pela morte de 368 pessoas. Outras 198 pessoas morreram vítimas de neoplasias; e as causas externas mataram 136 pessoas.
As doenças cardiovasculares, conforme pesquisa da enfermeira, acometeram principalmente a população dos bairros centrais da cidade. Já as mortes por causas externas ocorreram em maior escala nos bairros periféricos; e as neoplasias atingiram a população de praticamente toda cidade. As doenças cardiovasculares estão mais presentes nas áreas centrais porque são regiões onde moram as pessoas de classe social mais privilegiada e que estão mais sujeitas ao stress, vida sedentária e outros fatores que contribuem para as doenças do coração, explica. Já nas regiões periféricas, conforme Udelysses, a pesquisa revela que o risco maior é com os acidentes de trânsito e de trabalho. São principalmente os acidentes no setor da construção civil e os atropelamentos de ciclistas e motociclistas, diz. Também é maior nas regiões periféricas, o número de homicídios e suicídios.
Com relação às neoplasias, a pesquisa demonstrou o risco predominante nos homens e mulheres para cada tipo de câncer. Entre os homens por exemplo, a principal causa das mortes foi o câncer de estômago, que atingiu 8,21 homens a cada 100 mil pesquisados. Já entre as mulheres, o câncer de mama foi a causa principal das mortes, atingindo 4,85 mulheres de um universo de 100 mil. Isso demonstra que as mulheres de uma forma geral não incorporaram o auto-exame, e que os serviços de saúde ainda não desencadearam uma campanha mais contundente para a prevenção desta doença, afirma Udelysses. Ela compara com o câncer de útero que apresenta um índice menor de risco de vida devido o exame de prevenção que se tornou comum entre as mulheres. A gente percebe que geralmente o câncer de mama é descoberto quando ele já está num estado avançado, explica.
Para a enfermeira, a pesquisa é importante principalmente na questão do espaço. Conhecer as características de cada região é importante para os projetos de prevenção que poderão ser desencadeados de acordo com a necessidade específica de cada espaço, diz. Segundo ela, a pesquisa é um diagnóstico da saúde de Maringá. Como nos grandes centros, diz Udelysses, a população de Maringá está predisposta aos mesmos fatores de riscos de vida.Principais causas de morte em Maringá ocorrem em regiões específicas e de acordo com a classe social predominante
Marcos NegriniMarcos NegriniCotidianoAcidentes na construção civil fazem parte das principais causas de morte entre a população dos bairros periféricos; Udelysses Janete (abaixo) pesquisou as causas de mortalidade em cada região da cidade





