Pesquisa revela números alarmanres sobre o uso de drogas em presídios do Rio
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quarta-feira, 16 de junho de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 17 (AE) - Uma pesquisa feita pela Secretaria da Justiça com 2.115 internos do Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro revela que 24% dos homens e 22% das mulheres que cumprem pena no Estado já usaram cocaína no interior dos presídios. No caso do uso de maconha, esse número chega a 35% entre os homens e 26% entre as mulheres, e, quanto à utilização de tranquilizantes, 19% e 48%, respectivamente.
"O resultado é alarmante", diz o superintendente de Saúde da Secretaria de Justiça, Édson José Biondi, que coordenou a pesquisa. Ele, no entanto, ressaltou o baixo índice de uso de drogas injetáveis entre os cerca de 13 mil presos do sistema, estimado em 3% no ano passado. "Esse número chega a 24% em São Paulo", compara. O superintendente admitiu que existem falhas na fiscalização interna dos presídios, mas disse não acreditar que ações repressivas possam impedir o tráfico de drogas nas unidades do sistema penitenciário.
"Hoje, a droga é universal, existe até mesmo em escolas
e não há como impedir totalmente a entrada de pessoas ligadas ao tráfico", disse. "O que podemos fazer é investir em ações governamentais de educação e prevenção ao uso de drogas". Segundo Biondi, o secretário de Justiça do Estado, Sérgio Zveiter, ordenou, depois de tomar conhecimento do estudo, a criação do Centro de Tratamento de Dependentes Químicos, para "tentar minimizar" a situação dos presos que usam entorpecentes. Jovens - De acordo com o resultado da pesquisa, 27% daqueles que declararam ter usado algum tipo de droga no interior de prisões são provenientes do Departamento Geral de Ações Sócio-Educativas (Degase), que trata de jovens infratores. Mais de 50% dos presos viciados em drogas têm entre 18 e 30 anos. No caso do consumo de drogas antes da prisão, o álcool lidera a lista, com 80% dos casos entre os homens e 83%, entre as mulheres.
"Esse índice cai bastante dentro dos presídios e aparece atrás da cocaína, maconha e tranquilizantes porque é bem mais difícil traficar garrafas", diz. Ainda em relação ao uso de drogas antes de a prisão ter sido efetuada, maconha e cocaína correspondem a 78% e 66% dos casos entre os homens, e 72% e 78% entre as mulheres, respectivamente.


