São Paulo, 15 (AE) - Mudou o perfil dos estudantes que ingressam atualmente no ensino técnico. Com a reforma, apenas quem quer seguir a profissão opta pelo ensino profissionalizante. A maioria deles, no entanto, pretende entrar na universidade e espera pagar o curso superior com a renda do trabalho de técnico.
Uma pesquisa feita no Instituto Radial de São Paulo apontou diferenças marcantes entre o perfil do estudante de hoje e o dos matriculados no fim dos anos 80. "Naquela época, a maior parte dos alunos tinha acima de 21 anos e a escola era subsidiada pelas empresas em que trabalhavam", diz Márcia Petrone, do instituto, uma das maiores escolas técnicas privadas de São Paulo, com 7,2 mil alunos. Hoje, segundo ela, 80% dos alunos têm entre 16 e 21 anos e vivem com os pais.
Dircilei Silva Carvalho, de 18 anos, cursa o terceiro período de processamento de dados no Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (Ceeteps), em São Paulo, e pretende pagar a universidade com com o dinheiro que vai ganhar trabalhando como técnico. "Não teria como pagar a faculdade", diz o estudante, que quer fazer processamento de dados ou análise de sistemas.
Para Márcia, é a falta de dinheiro e o medo do desemprego que levam muitos estudantes às escolas técnicas. "Além de garantir a formação o aluno também pode contribuir em casa e financiar o restante dos estudos".
Quem também obteve vantagens com a mudança no ensino técnico foi o profissional com 2.º grau completo. Antes, para formar-se técnico, era necessário fazer novamente o colegial. Hoje, há a opção pelos módulos. "Era uma demanda represada", diz o coordenador do ensino técnico do Ceeteps, Almério Melquíades de Araújo. O Ceeteps registrou de 98 para 99 um aumento em 30% da procura pela educação profissionalizante, incluindo jovens e adultos.
O operador de computadores da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Geraldo Garducci Júnior, de 37 anos, voltou a estudar e cursa edificações na Ceeteps. Segundo ele, a CET oferece chances de promoção para os funcionários com qualificação. "Mas tenho outras habilidades, se precisar trabalhar como autônomo". (J.J.)

mockup