Pesquisa revela incidência de DST entre prostitutas de SP
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 21 (AE) - Pesquisa feita com prostitutas que trabalham na região central de São Paulo revela que das 102 mulheres atendidas no Centro de Saúde Escola Barra Funda (CSEBF) nos dois últimos anos, 51% apresentam algum tipo doença sexualmente transmissível e 14,8% estão contaminadas pelo vírus HIV.
O estudo DST em Profissionais do Sexo: Doença Ocupacional? foi apresentado hoje pela pesquisadora Marta Campagnoni Andrade, do CSEBF, no 2º Congresso Internacional Mulher, Trabalho e Saúde, que termina amanhã (22), no Rio. O trabalho do CSEBF, entidade ligada ao Departamento de Medicina Social da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, é feito em parceria com o Programa de Prevenção de DST/Aids do Governo do Estado.
Segundo a pesquisa, a maioria das prostitutas (70%) tem idade entre 20 e 40 anos; apenas 32% delas conseguiram completar o ensino fundamental; 75% vivem em pensões ou hotéis e 7% declararam ser moradoras de rua. Elas fazem, em média, 30 programas por mês e cobram de R$10,00 a R$15,00 pelo serviço.
Os números são referentes ao período 1997/1998. Segundo Marta, mais de 150 prostitutas da região estão matriculadas atualmente no serviço, que recebe o apoio de organizações não-governamentais locais para o trabalho de acompanhamento e tratamento das mulheres. Quanto ao uso da camisinha, a pesquisadora disse durante a palestra que a maioria das prostitutas tem consciência do risco de contaminação, mas elas acabam aceitando manter relações sem a proteção de preservativos quando o cliente exige. Pesquisa divulgada ontem (20) pelo Ministério da Saúde revelou que 76,1% dos brasileiros não utilizam a camisinha.


