Cuiabá, 01 (AE) - Milhares de exemplares de peixes carnívoros como o pintado, cachara e piranha das baías de Siá Mariana e Chacororé, no município de Barão de Melgaço, a 128 quilômetros de Cuiabá, oeste do Estado, no Pantanal, estão contaminados por mercúrio em níveis acima da média aceitável para consumo pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A contaminação foi constatada em uma pesquisa realizada em conjunto por estudiosos das universidades de Uppsala (Suécia), Heildeberg (Alemanha) e a Federal de Mato Grosso (UFMT).
Nos exemplares colhidos para análises nos laboratórios da Suécia e Alemanha constatou-se a presença de até 724.2 ppb (parte por bilhão), o que os torna impróprios para o consumo. A média aceitável, segundo a OMS, é de até 500 ppb. Os estudos concentraram-se nas duas baías - maiores que a Baía de Guanabara
do Rio - na do Rio Paraguai, em Cáceres e Porto Jofre, oeste do Estado, e na confluência entre os rios Cuiabá e Paraguai, locais que atraem uma grande quantidade de pescadores de todas as regiões do País.
A primeira etapa da coleta foi feita em fevereiro do ano passado e, a segunda, em agosto de 1998. A última ocorreu em julho deste ano. As três confirmaram os elevados níveis de contaminação. "O nosso objetivo é conhecer o comportamento químico do mercúrio do Pantanal", explicou o professor de Química da UFMT, Ednaldo de Castro e Silva, ao divulgar os resultados. Castro e Silva, um dos maiores especialistas do assunto no País, coordenada a pesquisa no Brasil. "A gente queria saber se há mercúrio e como ele está associado".
Mesmo antes da conclusão da pesquisa, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Fema) recomendava a utilização de peixes criados em tanques para consumo próprio. De acordo com a médica Maria Aparecida Pigalli, a contaminação por mercúrio traz como consequência o surgimento de células cancerígenas no organismo humano.

mockup