Curitiba Pesquisa sobre dados socioeducacionais feita pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) junto aos 44.698 inscritos no vestibular 2004/2005 mostra que a política de cotas, adotada este ano pela primeira vez pela instituição, pode ser determinante para a inclusão social no ensino superior. A avaliação dos resultados da pesquisa foi apresentada ontem, pelo reitor da UFPR, Carlos Moreira Júnior. ''Nesse momento, a política de cotas se mostrou a mais adequada para aumentar a possibilidade de acesso à universidade'', disse.
O primeiro vestibular da UFPR a ser realizado dentro da política de inclusão social teve 43.901 inscritos, que concorrem a 4.144 vagas em 55 cursos. Outros 797 candidatos inscreveram-se para o curso de oficial da Polícia Militar. Dentro da política de cotas, 831 vagas serão destinadas a afrodescendentes e 831 para alunos oriundos de escolas públicas, o que corresponde a 20% do total de vagas para cada categoria. As demais 2.482 são para candidatos não cotistas.
Um dos dados mais significativos da pesquisa refere-se ao grau de escolaridade do pai dos vestibulandos. Entre os não cotistas, 43% têm curso superior completo. Entre os afrodescendentes e alunos de escola pública, a maior incidência é de pai com o ensino fundamental incompleto de 25% e 31% respectivamente. Só 17% dos afrodescendentes têm pai com curso superior, percentual que cai para 9% entre alunos de escola pública.
Em relação à renda mensal familiar, 54% dos alunos de escola pública e 45% dos afrodescendentes têm renda inferior a R$ 1 mil, contra apenas 15% dos não cotistas. Destes, 38% têm renda acima de R$ 3 mil, contra 14% dos negros e 5% dos alunos de escola pública. ''Esses números mostram o quanto os alunos de escola pública sempre estiveram em desvantagem'', disse o reitor.
Um a cada quatro candidatos afrodescendentes e de escolas públicas disseram que terão que trabalhar em tempo integral desde o primeiro ano da faculdade, sendo que 24% dos negros e 20% dos estudantes da rede pública disseram ter feito o ensino médio no turno noturno. Para Moreira Junior, esse é um indício da necessidade de aumentar as políticas de permanência na faculdade. Hoje a UFPR investe R$ 1,5 milhão em bolsas de estudo. Na próxima quarta-feira, o reitor se reúne com representantes do Ministério da Educação para reivindicar R$ 500 mil para este fim.
A UFPR divulgou ontem a relação candidato/vagas para o vestibular. O curso de publicidade e propaganda é o mais disputado, com 31,6 inscritos/vaga; seguido por medicina, com 30,26; jornalismo, com 27,6; direito com 25 e arquitetura e urbanismo, com 22,3.
Este ano, o vestibular terá mudanças. As provas serão realizadas apenas na Capital e Região Metropolitana, a partir das 14 horas. O processo seletivo será em duas fases. A primeira, dia 28 de novembro, é eliminatória e classificatória para a segunda fase, que acontece nos dias 19 e 20 de dezembro.

mockup