Pesquisa quer recursos públicos
Agência Estado
De Porto Alegre
O desenvolvimento de ciência e tecnologia adequado às necessidades do Brasil requer um amplo programa de financiamento público de pesquisa, voltado especificamente a empresas de capital nacional, como fazem os países mais industrializados. A proposta, apresentada ontem pelo professor Luiz Martins de Melo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), foi apresentada no simpósio O papel do financiamento público e privado no desenvolvimento científico e tecnológico, na 51ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
A proposta do professor prevê a criação de uma fonte constante de recursos subsidiados para a pesquisa científica no País. O problema foi apontado, no mesmo simpósio, também pelo professor Guilherme Ari Plonsky, da Universidade de São Paulo (USP), citando como exemplo a recente redução de incentivos fiscais para o setor, estabelecida pela lei nº 8.661, de 8% para 4% de desconto sobre o Imposto de Renda.
Um dos braços desse novo sistema seria o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entretanto, conforme Melo, a cultura da instituição, mais voltada à participação em projetos setoriais, exige ainda o
estabelecimento de uma segunda perna para o programa, que sustentaria um fundo genérico de recursos.
Não existe sistema de inovação que não tenha no seu centro a empresa nacional; é um projeto de nação, de elevar sua capacidade de gerar conhecimento, afirmou o professor Melo. Ele revelou que 95% dos contratos de intercâmbio tecnológico estão concentrados em dez países, cujas companhias se limitam, nas regiões periféricas, a desenvolver trabalhos de engenharia adaptativa por intermédio de suas filiais.
Melo destacou que 98,9% das 143 empresas japonesas relacionadas desenvolveram os produtos patenteados no seu país de origem. Entre as companhias norte-americanas este porcentual é de 92,2%.
De acordo com Plonsky, o peso do setor produtivo nos dispêndios totais com pesquisa, desenvolvimento, aquisição de tecnologia e engenharia não rotineira no País avançou de cerca de 10% no início desta década para 32%. Mas esta participação ainda é pequena quando comparado aos 50% registrados nos Estados Unidos e 80% no Japão, assinalou.





