O presidente da Associação Brasileira de Química Fina (Abifina), Marcos Oliveira, destaca, em artigo distribuído pela Agência Brasil, que o Brasil precisa dos meios para sustentar seu desenvolvimento. Esses meio são: capital financeiro, pesquisadores e cientistas.
É neste ponto – acrescenta Marcos Oliveira – ‘‘que nos defrontamos com a dura realidade; com o legado de uma década de doutrina neoliberal enganosa, com os reflexos de uma abertura de mercado mal planejada e mal conduzida; com uma privatização-desnacionalização inconsequente.’’
Em capital financeiro, a situação do País tem sido desastrosa (leia adiante). Em capital humano não vem sendo melhor. ‘‘É possível que se ache algum indicador para mostrar que houve progressos no campo da educação, mas se olharmos para o indicador salários-empregos, o panorama é trágico’’ – analisa Marcos Oliveira. Ele explica o que vem acontecendo e que é mais um desafio para o Século 21: ‘‘São vergonhosos, no Brasil, os salários do pessoal na área de tecnologia mais avançada e nas áreas de pesquisa e desenvolvimento.
Segundo ele, pesquisadores titulados (que têm títulos, por exemplo, de Mestrado e/ou Doutorado), em todas as áreas, recebem salários ridículos, ‘‘desestimulando os jovens a prosseguirem em carreiras de maior conteúdo científico, essenciais ao desenvolvimento do conhecimento na sociedade. ‘‘Estamos – afirma – aniquilando os nossos centros de excelência – universidades, institutos de pesquisa, centros de estudo e geração de tecnologia, fábricas de alta tecnologia. Estamos acabando com tudo que é mais necessário na era do conhecimento. Nossos melhores cérebros estão indo embora, trabalhar no exterior. Nossa engenharia, de crescimento crescente nas décads de 60 e 70, refluiu, apequenou-se.’’
Não existem recursos (financeiros) públicos, ‘‘que estão profundamente comprometidos com o pagamento dos juros da ciranda financeira’’. Sem dinheiro público para investimento em pesquisa, o parque produtivo, se não diminuiu, estacionou nos últimos cinco anos, quando a taxa de investimento mal cobriu a depreciação dos ativos. ‘‘Não poupamos nada’’, lamenta o presidente da Abifina.
Oliveira admite que veio capital estrangeiro, porém apenas para comprar ativos existentes no Brasil e já pagos com dinheiro brasileiro sem risco para o investidor estrangeiro, ‘‘com viabilidade de retorno rápido’’. O País vendeu até áreas de serviço (distribuição de energia elétrica, telefonia, bancos, distribuição de alimentos – supermercados –, entre outras ‘‘negociações’’ – de consumo local obrigatório e mercado garantido, ‘‘incapazes de gerar dólares’’.

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