Pesquisa precisa de capital humano já, afirma técnico
PUBLICAÇÃO
domingo, 14 de janeiro de 2001
Jota Oliveira De Londrina 
O presidente da Associação Brasileira de Química Fina (Abifina), Marcos Oliveira, destaca, em artigo distribuído pela Agência Brasil, que o Brasil precisa dos meios para sustentar seu desenvolvimento. Esses meio são: capital financeiro, pesquisadores e cientistas.
É neste ponto acrescenta Marcos Oliveira que nos defrontamos com a dura realidade; com o legado de uma década de doutrina neoliberal enganosa, com os reflexos de uma abertura de mercado mal planejada e mal conduzida; com uma privatização-desnacionalização inconsequente.
Em capital financeiro, a situação do País tem sido desastrosa (leia adiante). Em capital humano não vem sendo melhor. É possível que se ache algum indicador para mostrar que houve progressos no campo da educação, mas se olharmos para o indicador salários-empregos, o panorama é trágico analisa Marcos Oliveira. Ele explica o que vem acontecendo e que é mais um desafio para o Século 21: São vergonhosos, no Brasil, os salários do pessoal na área de tecnologia mais avançada e nas áreas de pesquisa e desenvolvimento.
Segundo ele, pesquisadores titulados (que têm títulos, por exemplo, de Mestrado e/ou Doutorado), em todas as áreas, recebem salários ridículos, desestimulando os jovens a prosseguirem em carreiras de maior conteúdo científico, essenciais ao desenvolvimento do conhecimento na sociedade. Estamos afirma aniquilando os nossos centros de excelência universidades, institutos de pesquisa, centros de estudo e geração de tecnologia, fábricas de alta tecnologia. Estamos acabando com tudo que é mais necessário na era do conhecimento. Nossos melhores cérebros estão indo embora, trabalhar no exterior. Nossa engenharia, de crescimento crescente nas décads de 60 e 70, refluiu, apequenou-se.
Não existem recursos (financeiros) públicos, que estão profundamente comprometidos com o pagamento dos juros da ciranda financeira. Sem dinheiro público para investimento em pesquisa, o parque produtivo, se não diminuiu, estacionou nos últimos cinco anos, quando a taxa de investimento mal cobriu a depreciação dos ativos. Não poupamos nada, lamenta o presidente da Abifina.
Oliveira admite que veio capital estrangeiro, porém apenas para comprar ativos existentes no Brasil e já pagos com dinheiro brasileiro sem risco para o investidor estrangeiro, com viabilidade de retorno rápido. O País vendeu até áreas de serviço (distribuição de energia elétrica, telefonia, bancos, distribuição de alimentos supermercados , entre outras negociações de consumo local obrigatório e mercado garantido, incapazes de gerar dólares.


