Londrina - Uma pesquisa feita em Londrina coloca em alerta o uso de inibidores de apetite. A conclusão do estudo feito na Unifil pela nutricionista Marcela Nakachima sobre a substância femproporex aponta que o medicamento, além de não proporcionar o efeito desejado de emagrecimento, ainda pode causar malformação em fetos. A análise teve orientação do professor e biólogo Rodrigo Juliano Oliveira.
O objetivo da pesquisa, segundo a nutricionista, foi avaliar, além da perda de peso, o comportamento materno e o desenvolvimento embriofetal de fêmeas de camundongos que receberam a substância femproporex. No caso do comportamento, foram analisados ansiedade, depressão e atividade motora. Para verificar se houve malformação, foram avaliados órgãos internos e a estrutura esquelética dos fetos.
Segundo Marcela, a intenção é alertar mulheres para o risco de ingerir esse tipo de substância, principalmente durante a gestação. Apesar de na bula do medicamento existir o alerta ''o medicamento não deve ser utilizado durante a gravidez'', muitas mulheres, segundo ela, utilizam ou continuam a utilizar a substância neste período ''para não engordar tanto''. ''Além de gestantes utilizarem, o que chama a atenção é que é um medicamento alucinógeno utilizado até em raves, com bebida alcóolica'', alerta.
A venda deste tipo de substância de ação anorexígena (que causa diminuição do apetite) é controlada, e feita apenas com prescrição médica. Mas, em Londrina, médicos e farmacêuticos já foram denunciados por receitar e vender as chamadas ''fórmulas'', de uso proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e que associam anfetaminas, diuréticos e ansiolíticos. A última denúncia feita pela Promotoria de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais e de Saúde Pública, contra um médico e um farmacêutico, é de abril deste ano. Esse tipo de associação pode causar dependência física e mental e até levar à morte, como a de uma jovem de Londrina, em 2001. A bula do femproporex também alerta para efeitos colaterais como irritabilidade, insônia, alteração da libido, palpitação e tremor.
No estudo de Marcela, foi observado a elevação do número de fetos malformados, apesar de não em quantia significativa estatisticamente. Entre os problemas apresentados aparecerem fetos com órgãos da região abdominal expostos, dilatação do esôfago, e hidrocefalia, que é o acúmulo de água nos ventrículos cerebrais.
Entre as alterações esqueléticas, a principal foi no processo de ossificação, ''como se o osso não se formasse no tempo e na forma adequados''. As fêmeas também passaram por avaliação de comportamento, e apesar de não haver significativa variação estatística, houve percepção de mudanças na locomoção motora, ansiedade e depressão.
''Para nós, enquanto pessoas e analisadores, mesmo que a estatística não seja significativa, aquele evento que ocorreu é importante. Algumas síndromes acontecem em uma a 500 mil pessoas, e ela é importante'', ressalta o biológico.

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