As diferenças entre fetos do sexo feminino e masculino podem manifestar-se menos de três semanas depois do início da gravidez, segundo um estudo publicado esta semana na revista Human Reproduction.
Cientistas israelitas demonstraram que os embriões femininos exercem uma maior influência que os embriões masculinos sobre o hormônio que permite detectar precocemente a gravidez, uma diferença que pode ser notada 16 dias depois da concepção.
Embora por enquanto essa descoberta não permita, por si só, prever o sexo do bebê, os investigadores trabalham no sentido de obter outros marcadores que permitam aos pais ter mais cedo essa informação. A pesquisa demonstrou que os níveis de soro materno do hormônio gonadotropina coriónica (HCG, sigla em inglês) são cerca de 20 por cento superiores no caso de o feto ser do sexo feminino, menos de três semanas depois do início da gravidez.
A HCG é o hormônio que permite saber, através de testes sanguíneos ou da urina, se a mulher está ou não grávida, por volta do 12º dia após a fertilização. O papel da HCG no início da gravidez consiste em preparar o organismo para o desenvolvimento do feto.
‘‘Estudos anteriores já tinham demonstrado que os níveis desse hormônio são significativamente mais altos na presença de um feto feminino no segundo e no terceiro trimestres de gravidez. Mas agora descobrimos que o mesmo se verifica logo 16 dias depois da fertilização’’, explicou o investigador principal, Yuval Yaron, diretor da unidade de genética pré-Natal do Centro Médico de Telaviv.
O estudo envolveu 347 gravidezes (184 fetos femininos e 163 masculinos) e os níveis de HCG no soro materno foram medidos de uma a três vezes por dia, entre os dias 14 e 20 de gravidez. Numa gestação de três semanas, os níveis desse hormônio eram 18,5 por cento superiores quando os fetos eram do sexo feminino.
No entanto, Yuval Yaron sublinhou que ‘‘embora as diferenças entre os gêneros sejam estatisticamente significativas, a proporção de mulheres grávidas com concentrações de HCG suficientemente altas ou baixas para permitir fazer uma previsão é demasiado baixa’’, explicou.
Segundo o cientista, seria possível saber o sexo do feto mais cedo se fossem identificados outros marcadores que pudessem também demonstrar diferenças relacionadas com o gênero do bebê.
Segundo explicou Luz do Céu, ginecologista e obstetra numa clínica de Lisboa, o interesse dessa investigação centra-se no fato de poder dar uma maior capacidade de decisão aos pais afetados por doenças características de um gênero, como a hemofilia, que só atinge homens.

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