São Paulo, SP- Pesquisa divulgada ontem pelo Instituto da Cidadania, em São Paulo, sugere a existência de política pública que assegure o direito ao trabalho de adolescentes e jovens a partir de 16 anos, levando em conta as peculiaridades da condição juvenil. O estudo, chamado Projeto Juventude, ouviu 3.501 rapazes e moças de 15 a 24 anos, de todas raças, áreas rurais e urbanas de municípios do país.
Os dados apresentados pelo cientista político, Gustavo Venturi, revelam que 36% dos jovens entrevistados estão trabalhando, 32% já trabalharam e estão desempregados, 24% nunca trabalharam, nem estão a procura de emprego. Outros 8% nunca trabalharam, mas estão procurando vagas no mercado.
Entre os principais conceitos associados ao trabalho a necessidade de sobrevivência vem como prioridade (64%), seguida por independência (55%), crescimento pessoal (45%), auto-realização (29%) e preocupação com exploração (4%). Mas na opinião da consultora especial do Projeto Juventude, Helena Abramo, apesar da necessidade de sobrevivência, uma grande parcela quer na verdade autonomia, afirmação como jovens. Ela defende que as administrações públicas levem em conta essa necessidade por parte deste segmento da população. Para ela, há por um lado o desejo do jovem de entrar cedo no mercado de trabalho e, por outro, a constatação de que a maioria das políticas públicas buscam preservar o tempo e condições de estudo, o que retarda a inserção do jovem no mercado de trabalho.
A pesquisa é a mais abrangente e aprofundada feita no país sobre o universo jovem brasileiro que, segundo o Censo 2000 do IBGE, soma mais de 34 milhões, ou seja, 20% da população. A partir dos dados da pesquisa, o Instituto Cidadania elaborou sugestões para a adoção de políticas públicas.

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