Rio, 12 (AE) - Uma pesquisa patrocinada pelo governo americano vai estudar a transmissão do vírus da aids de mãe para filho em três maternidades cariocas. Oito mil grávidas que deixaram de fazer teste de HIV durante o pré-natal nos postos de saúde do município serão submetidas aos testes no momento do parto. O objetivo é garantir que filhos de soropositivas recebam tratamento nas primeiras 48 horas após o nascimento e estudar os índices de redução da transmissão do vírus de mãe para filho.
A pesquisa foi iniciada hoje no Hospital dos Servidores do Estado (HSE), unidade de referência para gravidez de alto risco, que atende a 27 gestantes soropositivas. "Muitos médicos que acompanham o pré-natal não pedem o teste de HIV ou resultado demora a ficar pronto, por falta de kit de testagem nas unidades de referência", explicou o diretor da maternidade do HSE, Marcos DIppolito, enumerando as dificuldades para o diagnóstico precoce da aids em grávidas.
Segundo o coordenador do programa de gestantes soropositivas do hospital, Esaú Custódio João Filho, 50% das grávidas na cidade não fazem o pré-natal. Os testes rápidos, cujos resultados são conhecidos entre 15 e 20 minutos, começam a ser distribuídos em setembro nas maternidades da Praça XV, Pró-Matre e HSE. O governo americano liberou US$ 50 mil para o programa, que é coordenado pela médica da Universidade da Califórnia Ivonne Bryson. "No futuro, pretendemos utilizar os testes rápidos também durante o pré-natal", disse a pediatra, que trabalha há 12 anos com filhos de soropositivos.
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em cada cem grávidas com aids, entre 25 e 40 transmitem o vírus para seus filhos. Se mãe e bebê recebem a medicação adequada, o número de crianças contaminadas cai para 3 a 5 em grupo de cem. Há cerca de quatro milhões de grávidas no Brasil e 1,7% delas (68 mil) têm aids, de acordo com o Ministério da Saúde.

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