Os principais argumentos dos ambientalistas, segundo o advogado Carlos Levy, da ONG MAE, é que a construção da usina vai contribuir para acúmulo de sujeira e proliferação de algas no rio, sem falar do alagamento de áreas e sítios arqueológicos, além do desalojamento de famílias ribeirinhas e comunidades indígenas. Levy levantou também incertezas com o desaparecimento de espécies em extinção, elevação do preço da água em decorrência da piora da qualidade e o resultado cumulativo da poluição nas pessoas que bebem essa água. ''Como o passivo da construção também será remediado com recursos públicos, a providência mais urgente seria a interrupção das obras'', sugeriu.
Em artigo publicado na FOLHA em dezembro de 2008, a pesquisadora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Sirlei Bennemann, especialista em Ecologia de Peixes, explicou que o Tibagi é o terceiro rio em extensão mas o primeiro em biodiversidade no Paraná. Ao longo de seus 550 quilômetros está prevista a construção de, no mínimo, sete barragens para geração de energia hidrelétrica, de acordo com dados do Ministério de Minas e Energia.
Segundo a pesquisadora, entre as sete usinas, quatro estão incluídas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), por isso a pressão do governo Federal sobre o Estado. ''A Usina Mauá, a de maior porte, está projetada na região média da bacia, que consiste de uma área prioritária para conservação e encontro de biomas e tipos de vegetacão'', descreveu Sirlei, no artigo.
Conforme ela, há quatro anos, pesquisadores da UEL têm elaborado pareceres técnicos e documentos oficiais, 15 no total, com posicionamento contrário aos encaminhamentos realizados no processo de licenciamento da UHE Mauá. O último parecer revelou índices acima dos valores permitidos pela lei de metais pesados, como chumbo, cádmio, cobre e mercúrio, em tecidos e órgãos de peixes coletados em trechos do Tibagi, onde se encontram as bocas de uma mineração desativada, na área projetada para ser alagada pelo reservatório da usina. ''Não nos importamos por nossos argumentos terem sido negligenciados pelos governos estadual e Federal, mas ficaremos realizados se o parecer sensibilizar os representantes de Londrina que poderão atuar para impedir uma tragédia para a população e também para toda biodiversidade do Paraná'', declarou a pesquisadora. (M.G.)

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