Rio, 11 (AE) - As lojas de departamento e bazares, em fase de extinção no mercado desde os pedidos de falência de grandes redes como Mappin, Mesbla e Lojas Brasileiras, respondiam, há três anos, por 4,05% da receita total do setor de comércio varejista no País, com faturamento de R$ 5,764 bilhões. Pesquisa Anual de Comércio (PAC), relativa ao ano de 1996, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que a atividade comercial representou
naquele ano, 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB), com um volume total de receitas (atacado e varejo) de R$ 324,972 bilhões.
Já naquela época, os hiper e supermercados, que vêm substituindo as lojas de departamento, detinham a maior fatia do faturamento do comércio varejista, com R$ 37,6 bilhões. Em 96, havia 10.252 empresas, que possuíam 13.906 lojas em todo o País. A mudança estrutural no setor, com a saída dos magazines e a entrada dos hipermercados, traz pelo menos uma consequência direta: a redução da média salarial dos comerciários.
Segundo a pesquisa, na ocasião, as lojas de departamentos pagavam salários médios correspondentes a 4,7 salários mínimos, o dobro da média do varejo, que era de 2,3 salários mínimos. Os supermercados tinham média salarial mensal de 3,31 salários mínimos.
A PAC de 1996 coletou dados de 47 mil empresas, analisando os resultados dos balanços e produzindo o mais completo levantamento sobre a estrutura comercial brasileira.
Pesquisa - A demora na divulgação, segundo informou Roberto SantAnna, um dos responsáveis pela pesquisa, é justificada pela utilização de um novo modelo estatístico e pela dificuldade em reunir todos os balanços. "O Plano Real produziu uma mudança no perfil do consumo e, consequentemente, uma transformação também no comércio, que vem ocorrendo de forma lenta, mas bem definida", diz SantAnna.
Ele credita a substituição dos magazines pelos hipermercados à dificuldade que o primeiro segmento teve de se adaptar às mudanças, como a introdução da linha branca (geladeiras, máquinas de lavar etc) a seus artigos, a concorrência no vestuário e a fraca presença de gêneros alimentícios.
"Houve uma queda no padrão de consumo", atesta. "Quem vendia para a classe A manteve a clientela, mas quem se dedicava ao consumidor intermediário, teve de se adaptar."
Crescimento - O IBGE acompanhou a evolução do comércio de 1992 a 96 e constatou que, em termos reais, houve um crescimento de 51% no volume da receita das mil empresas líderes do setor. Foi uma elevação contínua e concentrada nesta parcela do comércio.
A pesquisa foi dividia entre o comércio atacadista, o varejista e o comércio de veículos e o de revenda de combustíveis. O maior volume de receita, por estado, foi alcançado por São Paulo, com 35% do total nacional e 32% do pessoal ocupado. O comércio empregava, em 1996, 4,892 milhões de pessoas.

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